A história da música “Aquarela”, de Toquinho

 O nome de Toquinho quase sempre é associado ao de Vinícius. Uma associação correta, mas que nem sempre faz justiça à qualidade de compositor de Toquinho. Ele compôs clássicos, mesmo sem Vinícius, e algumas de suas músicas se eternizaram no cancioneiro popular do Brasil (e não só do Brasil). Do site oficial de Toquinho, conta-se a bela história de Aquarela, sucesso no Brasil e em vários países do mundo

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Em 1982, após vários anos de apresentações na Itália, Toquinho já era um nome de destaque naquele país. O empresário Franco Fontana criara a gravadora “Maracana” objetivando diretamente a música brasileira, e resolvera gravar um disco com Toquinho, com músicas novas. Para isso escolheu o músico italiano Maurizio Fabrizio, que havia vencido o festival de San Remo e que, na visão de Franco, concentrava características semelhantes às do violonista brasileiro.

Do encontro dos dois resultou uma generosa parceria, material para quatro discos entre o período de 1983 e 1994. Essas canções receberam originalmente letras em italiano, a grande maioria, de Guido Morra, e poucas  de Sergio Bardotti. Depois algumas foram vertidas para o castelhano por I. Baldacchi e outras por C. Toro. Parte delas recebeu versões de Toquinho, que as gravou também em português. Toquinho conta como teve início essa parceria:

– Quando o Franco decidiu investir nesse disco, surgiu a grande controvérsia: a parceria. Ele arriscou no Maurizio Fabrizio. Eu não sabia quem era o Maurizio – explica Toquinho. – Não o conhecia, nunca o tinha visto. Aí, o Maurizio me telefonou do Aeroporto de Congonhas: “Eu estou com uma blusa amarela, uma calça cinza e uma mala marrom te esperando”. E eu: “Vou estar com um carro prata”. Cheguei, olhei, lembrei das dicas, ele me viu, nos acenamos, e pronto.

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Fomos para casa e ele dormiu um pouco. Quando acordou, almoçamos – isso no dia em que ele chegou – e eu tinha uma pianolinha, uma coisinha ridícula – ele toca piano – então peguei meu violão e disse: “Nós temos que fazer músicas. Vamos combinar uma coisa: o que você não gostar daquilo que eu faço, me fala. E o que eu não gostar do que você faz, eu falo. Tudo bem?”. Ele concordou e começou a mostrar uma música. Achei meio chata a primeira parte, mas quando ele entrou na segunda parte, eu gostei, lembrava a primeira parte de “Uma rosa em minha mão”, que fiz com Vinicius, em 1974, para a novela “Fogo Sobre Terra”, da Globo.

Então, toquei para ele, que, em seguida, começou com a segunda parte da música dele. Uma se encaixou na outra, naturalmente, na primeira tentativa, era a primeira música que ele me mostrava… Assim, gastamos nem três minutos para fazer a música que seria conhecida como “Acquarello”, em italiano, que é a nossa “Aquarela”.

Achei bonita, me animei, e nos outros dias fizemos umas oito melodias. Maurizio voltou para a Itália para criar os arranjos e trabalhar com o letrista, o Guido Morra, que fez as letras de todas as nossas canções. Quando cheguei na Itália, em novembro de 1982, para fazer a temporada de shows e gravar o disco, nunca me esqueço, estava num restaurante e eles apareceram com todas as letras já datilografadas. “Vamos mostrar todas as letras para você, e deixar por último, aquela pela qual todos estão encantados”.

 

Eu não confiava nessa música como música de sucesso, nem imaginava isso. Para mim, era só uma canção de meio de disco. Então, me mostraram todas as letras e, por fim, a última: “Acquarello”. É uma letra mágica: desperta a criança que carregamos dentro de nós, reforça o romantismo da amizade, aviva as delícias de se ganhar o mundo com a rapidez moderna, e, por fim, nos alerta para o enigma do futuro que guarda em seu bojo a implacável ação do tempo, fazendo tudo perder a cor, perder o viço, perder a força.

 

Gravei o disco e fizemos o lançamento em Sanremo – conta Toquinho. – Depois da primeira apresentação de “Acquarello”, começaram a pipocar comentários os mais maravilhosos, o disco saiu com 30 mil cópias, que se esgotaram no segundo dia. Essa música tem realmente um aspecto emocional muito forte, um apelo comercial, as pessoas ouvem e se envolvem. De repente, o Franco passou a me telefonar: “Olha, a música estourou por aqui, está nos primeiros lugares das paradas”. Voltei lá para fazer promoção, aí, ninguém segurou mais.

Fui o primeiro artista brasileiro a ganhar um Disco de Ouro na Itália – 100.000 cópias, como aqui. Virei artista popular fora do Brasil! Então, resolveu-se gravar a música em português. Quando conheci a letra, ainda na Itália, me empolguei em fazer a tradução. Sabia que encontraria dificuldades, pois é uma letra grande, as rimas tinham de ser precisas. Mudei muita coisa na forma de dizer, para poder conservar em nossa língua, a mesma magia atingida pelo Morra, em italiano. E começou a sair um negócio bonito, nem eu mesmo sabia o que era. Mesmo assim, achava a letra muito grande. Mas não deu outra coisa. Saiu aqui e foi outro estouro igual. Na Espanha, a mesma coisa. Na Argentina, na França, em todo lugar. Aqui no Brasil virou tema de publicidade, tarefa de escola para a criançada, e até hoje é exigida e cantada nos shows, como na época de seu lançamento. “Aquarela” foi um marco em minha carreira, como seria na de qualquer outro – continua Toquinho. – Uma coisa definitiva na vida de um compositor.

“Aquarela” é uma música que tem algo melhor, quem sabe a força da ingenuidade infantil ligada a um encanto popular que emociona. O primeiro acorde já levanta as pessoas. Consolidou-me, tanto na Itália como aqui, na América do Sul e na Europa. A partir daí as pessoas me reconheceram também como instrumentista, tornei-me popular.

Até hoje a canção, imortalizada na propaganda da Faber Castell, gera suspiros…

 

(Fonte:http://www.toquinho.com.br/epocas.php?cod_menu=11&sub=46)

julho de 2010

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101 Canções que Tocaram o Brasil. O livro por Nelson Motta

Quando comecei a ler o livro de Nelson Motta, sobre as 101 canções que tocaram o Brasil, fiquei curioso, pois imaginaria como ele faria a seleção de músicas e qual seria o critério de seleção.

Ao ler o livro, saberia que estariam lá canções essenciais, como “Chega de saudade”, “Garota de Ipanema”, Aquarela do Brasil” e “Asa Branca”, bem como não poderiam deixar de estar compositores como Noel Rosa, Ary Barroso, Dorival Caymmi, Tom Jobim, Vinícius, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil.

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Quando comecei lendo as músicas mais antigas, vi que muito do que há de relevante estava lá. Desde “Abre Alas”, de Chiquinha Gonzaga, como “Pelo Telefone”, oficialmente o primeiro samba gravado. Concordei com as canções de Noel, Ary Barroso e Gilberto Gil, não concordei com as de Caymmi e Caetano Veloso.

A lista é uma lista de músicas urbanas, ao que dá pra sentir falta de algo de forró para além de “Asa Branca”, e obviamente, há poucas referências à música contemporânea.

Em alguns momento entendi que havia algumas falhas imperdoáveis, em outros achei que a escolha foi precisa, e acaba sendo um retrato, ainda que parcial, da música brasileira no Século XX.

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O posfácio de Nelson Motta explica muita coisa. “Lista de músicas é como impressão digital, não há duas iguais”, para, em seguida, para mencionar canções “injustiçadas”, que estão fora da lista, passando por sertanejo, Jovem Guarda, sambas-canções (a não inclusão de “Linda Flor (Ai Ioiô)  parece uma das omissões mais relevantes)”, sambas, marchas, bossas, canções românticas, rocks, enfim, um sem-número de músicas que poderiam estar na lista.

Pensei, com um pouco mais de tempo, em fazer minha lista e cotejar com a de Nelson. Mas talvez leve um tempo. Peca também o fato de não ter as letras da músicas. No mais, é um livro recomendado.

Meu papo é reto. Dueto entre Monique Kessous e Ney Matogrosso

Tenho acompanhado Monique Kessous desde o seu primeiro disco. Sua bela voz de soprano e suas músicas românticas no primeiro disco agradavam, embora naquela oportunidade fosse inevitável compará-la com Marisa Monte. A voz e o estilo eram muito parecidos.

Mas, do segundo disco em diante, Monique ficou mais ousada, ganhou mais personalidade e mostrou efetivamente ao que veio.

Uma dessas boas surpresas musicais se mostra no dueto que fez com Ney Matogrosso, chamada “Meu papo é reto”, gravada em 2015.

A música conta a história de um flerte gay ocorrido na porta de uma boate. É interessante a parceria escrita entre Chico César e Monique, em que um deles se vê tentado diante a abordagem em frente a uma boate. A cena reflete uma situação típica de rua. Um deles, curioso; o outro, que fica entre o desejo e o receio de se envolver.

Sobre a composição, Monique afirmou:

Acho interessante poder brincar com os personagens nas músicas. E ser intérprete traz uma liberdade muito grande. Estou num momento de querer ousar mais no meu trabalho e, mais do que tudo, quero falar sobre o meu tempo, sobre as possibilidades de relações entre pessoas e sobre o medo de amar que se reverte em envolvimentos efêmeros, sem vínculos”, afirma a artista

Ney Matogrosso e Monique Kessous

Monique, numa entrevista, contou um pouco a história da canção:

— Fiz “Meu papo é reto” sobre uma letra que Chico César me mandou. Estava ouvindo muito Ney, me deu vontade de ter uma música na voz dele — conta Monique. — Quando fiz, mandei para ele e comecei a cantar nos shows. Então, decidi pôr no disco e o chamei para cantar comigo. Ele pensou que era uma canção de um homem e uma mulher. Expliquei que não. Na gravação, ele perguntou: “Posso virar para você e cantar ‘a gente tem a ver, menino’?”. Eu disse que era isso, e ele: “Nossa, subversivo”.

Ele me deu o bote
Pelo cangote, me disse
Para o boteco da frente
Confesso que eu fiquei doente

E antes que eu quisesse amantes
Ele me disse amigos
Tá tudo certo, eu sou do tipo aberto
Supondo que aguente firme esse seu flerte

E agora, o que é que eu faço
Pra aguentar a tentação
O rosto colado
O beijo esbarrado
E a gente rodando o salão

E agora, será que eu arrisco
Me perder na sua mão
Te olho discreto, mas meu papo é reto
Acho que vou te dar um beijo
E depois eu vejo

A gente tem um lance
A gente tem um quê
A gente tem a ver, menino
A gente tem um lance
Tem um quê
Não faz assim que eu fascino

A gente tem um lance
A gente tem um quê
A gente tem a ver, menino
A gente tem um lance
Tem um quê
Me beija que o resto eu te ensino

Fontes: http://oglobo.globo.com/cultura/musica/monique-kessous-canta-flerte-gay-outras-liberdades-em-novo-disco-19156173#ixzz4P7rIAdqJ
©

http://www.heloisatolipan.com.br/musica/dentro-de-mim-cabe-o-mundo-apos-seis-anos-de-hiato-monique-kessous-lanca-seu-terceiro-disco-e-prega-o-amor-minha-mensagem-e-de-liberdade/

http://www.ofluminense.com.br/en/cultura/monique-kessous-%E2%80%98manda-o-papo%E2%80%99-com-tema-atual-em-parceria-com-ney-matogrosso

Empty Garden: Uma homenagem de Elton John para John Lennon

Eu ainda era muito jovem para compreender o significado daquele acontecimento em 8 de dezembro de 1980, data em que morreu o Beatle John Lennon, assassinado na porta de sua casa, em Nova Iorque.

Elton John era amigo de John Lennon. Eles realizaram um dueto, em 1974, com Whatever Gets You Through The Night, e além disso, Elton John é padrinho de Sean, um dos filhos de John Lennon.

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Certo dia, Elton John, ao passar pelo lugar onde John Lennon fora assassinado, percebeu que o jardim de sua casa estava vazio, sem flores, sem verde. Assim começou a nascer a música  Empty garden, parceria de Elton John e Bernie Taupin, gravada em 1981. A letra da música, com sua tradução, falam por si.

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John Lennon é comparado a um jardineiro, e que depois de sua morte, deixa um jardim vazio. Pode ser o jardim da casa de John Lennon, que após sua morte, ficou descuidado. Pode ser o Madison Square Garden, em Nova Iorque, onde John e Elton fizeram seu famoso dueto. No viedo abaixo, Elton john conta porque canta poucas vezes essa cançaõm,

 

Empty Garden (Hey, Hey Johnny)

What happened here,

As the New York sunset disappeared?

I found an empty garden among the flagstones there.

Who lived here?

He must have been a gardener that cared a lot,

Who weeded out the tears and grew a good crop.

And now it all looks strange.

It’s funny how one insect can damage so much grain.

 

And what’s it for,

This little empty garden by the brownstone door?

And in the cracks along the sidewalk nothing grows no more.

Who lived here?

He must have been a gardener that cared a lot,

Who weeded out the tears and grew a good crop.

And we are so amazed! We’re crippled and we’re dazed…

A gardener like that one, no one can replace.

 

And I’ve been knocking, but no one answers.

And I’ve been knocking, most all the day.

Oh, and I’ve been calling “Hey, hey, Johnny!”

Can’t you come out to play?

 

And through their tears,

Some say he farmed his best in younger years.

But he’d have said that roots grow stronger, if only he could hear.

Who lived there?

He must have been a gardener that cared a lot,

Who weeded out the tears and grew a good crop.

Now we pray for rain, and with every drop that falls…

We hear, we hear your name…

 

And I’ve been knocking, but no one answers.

And I’ve been knocking, most all the day.

Oh and I’ve been calling ,oh hey, hey, Johnny!

Can’t you come out to play,

In your empty garden?

Johnny?

Can’t you come out to play, in your empty garden?

 

 

Jardim Vazio (Ei, Ei, Johnny)

O que aconteceu aqui,

enquanto o pôr-do-sol de Nova Iorque desaparecia?

Eu achei um jardim vazio, entre as lajes ali.

Quem viveu aqui?

Ele deve ter sido um jardineiro que se preocupava,

Que arrancou as lágrimas e cultivou boa colheita.

E agora tudo parece estranho.

É engraçado como um inseto estraga tanto a semente.

 

E para quê, este pequeno jardim vazio

jardim vazio perto da porta de arenito?

E nas rachaduras da calçada nada mais cresce.

Quem morou aqui?

Ele deve ter sido um jardinheiro muito preocupado,

Que arrancou as lágrimas e cultivou boa colheita.

E estamos tão surpresos! Estamos paralizados e aturdidos…

Um jardineiro assim, ninguém pode substituir.

 

E eu estou batendo, mas ninguém responde.

E eu estou batendo, a maior parte do dia.

Oh, e eu estou chamando: “Ei, ei, Johnny!”

Você não pode sair para tocar?

 

E através das suas lágrimas, alguns dizem

que ele cultivou seu melhor na juventude.

Mas ele disse que as raízes crescem mais fortes, se ao menos pudesse ouvir.

Quem viveu ali?

Ele deve ter sido um jardineiro muito preocupado,

Que arrancou as lágrimas e cultivou boa colheita.

Agora rezamos para chover, e cada gota que cai…

Nós ouvimos, nós ouvimos seu nome…

 

E eu estou batendo, mas ninguém responde.

E eu estou batendo, a maior parte do dia.

Oh, e eu estou chamando, oh ei, ei Johnny!

Você não pode sair para tocar,

em seu jardim vazio?

Jhonny?

Você não pode tocar, em seu jardim vazio?

 

terça 01 junho 2010 12:55 , em Musica Internacional