Baby Consuelo e Pepeu Gomes – Barrados na Disneylandia

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Pepeu Gomes e Baby Consuelo formaram certamente o casal mais divertido da música brasileira. Da realidade Hippie dos Novos Baianos da década de 70, eles viraram um símbolo do rock, com seu estilo punk, com seus filhos com nomes alternativos (Riroca – que depois mudou para Sarah Sheeva – Zabelê, Nana Shara, Kriptus Rá Baby, Krishna Baby e Pedro Baby), seus cabelos coloridos e visual extravagante típico da década de 80.

O visual que eles usavam era tão espalhafatoso que eles chegaram a ser barrados na Disney. Baby contou recentemente o fato, numa entrevista a Fernanda Young:

 

 “Eu estava grávida de sete meses do meu quinto filho e fui com o Pepeu toda colorida, do cabelo até os pés, para a Disney. Era quatro de julho e depois que compramos o ticket, quando estávamos para entrar, vi um carrinho tipo uma prisão, era tão bonitinho que eu pensei ser um carrinho qualquer do parque. O cara começou a falar inglês comigo e eu não entendia nada. Uma pessoa traduziu para mim e disse que estávamos sendo barrados por chamar mais atenção do que os brinquedos do lugar. Adorei! Me acabei de rir!”.

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Em uma entrevista dada ao jornal Folha de São Paulo, há alguns anos, Pepeu comentou sobre o episódio: “Fui barrado na Disney por ter o cabelo com sete cores, e foi uma discriminação. Naquela época já daria processo, a gente é que amarelou. Mas era meu sonho de criança, fiquei chorando na porta. Foi uma coisa séria aquilo.”

domingo 03 outubro 2010 03:04 , em Anos 80

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Neide Candolina

No disco Circuladô, em 1991, Caetano fez uma canção homenageando uma mulher “preta, linda e chique” , dotada de características peculiares, dona de um carro como fruto de seu trabalho de professora, e que nunca furou o sinal.

A canção contrasta a beleza e a elegância da mulher com a “suja” Salvador, e a referência a uma expressão de baianês, que é “brau”, derivativo de “brown”, que significa algo de baixo nível, de certo modo racista, para referir-se a um lugar onde se encontram pessoas pobres e de baixo nível. Caetano subverte a expressão “brown” para mostrar a beleza, a nobreza e a elegância dessa mulher,  que na verdade são duas:

A primeira é Neide Santos, chef do restaurante Africano Yorubá, no Rio de Janeiro, que Caetano conheceu quando ela era bem jovem, por intermédio de Antonio Risério

Neide é referência no Rio, quando se trata das delícias da comida baiana

A segunda foi sua professora de português, Candolina Rosa de Carvalho Cerqueira, Professora primária aos 18 anos, pela Escola Normal da Bahia, graduou-se em Línguas neolatinas pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UFBA, em 1949.

Em 1950, casou-se com Francisco de Morais Cerqueira, com quem teve cinco filhos. Francisco morre prematuramente, deixando a esposa viúva aos trinta e oito anos de idade, com os filhos eram pequenos. Foi mestra de Língua Portuguesa para várias gerações de baianos, em tradicionais colégios de Salvador – Colégio Central da Bahia, Colégio Severino Vieira, Colégio Marista – e permaneceu na memória de seus alunos. Morreu em 1973, aos 51 anos, vítima de um câncer de mama. Ela nomeia a escola da  rede estadual de ensino da Bahia, no bairro de Pau Miúdo.

Da mistura das duas nasceu Neide Candolina, a música que homenageia essas duas belas mulheres. Caetano conta, em “sobre as letras”, a história:

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“Neide é uma mistura de duas pessoas pretas da Bahia. Uma é Neide, minha amiga, que hoje em dia tem um restaurante no Rio de Janeiro chamado Iorubá. Eu a conheci quando ela tinha dezoito anos. Quem me apresentou foi um amigo, Antonio Risério, que é poeta e ensaista. Ele disse: “Você tem que conhecer a Neide e o pessoal dela, é uma gente maravilhosa, vamos ao Zanzibar! Eu disse a ela que a gente ia descer lá hoje”. Então, descemos onde ela morava, embaixo do restaurante que pertencia à família dela. E, quando chegamos, ela estava nua em pelo! Linda! Perfeitamente linda! Estava ouvindo um disco do Djavan. Ela me falou: “Você gosta do Djavan? Você quer um pouquinho de coca-cola?”. Assim, totalmente social. Conversava, cruzava as pernas, pegava as coisas, mostrava revistas, comentava, mudava a faixa do disco, nua, elegantíssima, social, sem qualquer escândalo. Ela tinha ficado nua em casa porque estava calor em Salvador, e não tinha certeza se Risério ia mesmo lá naquele dia. Mas também não quis se vestir quando chegamos, não se assustou. A outra pessoa que entrou na composição de Neide Candolina foi minha professora de português, a mais importante de todas, Dona Candolina. Então eu misturei o nome das duas e criei uma personagem negra, baiana, moderna.

 

O mais interessante é que aparece a palavra brown aqui, que é uma palavra que, na Bahia, era usada de modo pejorativo. Nos anos 70, 80, dizia-se: “está muito brown isso aqui; a praia está muito brown”, porque tinha muito preto, era muito baixo nivel, uma coisa cafona e pobre. Os pretos se chamavam de brown por causa de James Brown. Por isso que Carlinhos Brown é Carlinhos Brown, Mano Brown é Mano Brown; tudo vem de James Brown.

E como os pretos se chamavam de brown uns aos outros, a gíria pegou e a classe mádia “branca” começou a usar a palavra brown como quem diz “cafona” na Itália.

 

Preta chique, essa preta é bem linda

Essa preta é muito fina

Essa preta é toda glória do brau

Preta preta, essa preta é correta

Essa preta é mesmo preta

É democrata social racial

Ela é modal

Tem um Gol que ela mesma comprou

Com o dinheiro que juntou

Ensinando português no Central

Salvador, isso é só Salvador

Sua suja Salvador

E ela nunca furou um sinal

Isso é legal

E eu e eu e eu sem ela

Nobreza brau, nobreza brau

Preta sã, ela é filha de Iansã

Ela é muito cidadã

Ela tem trabalho e tem carnaval

Elegante, ela é muito elegante

Ela é superelegante

Roupa Europa e pixaim Senegal

Transcendental

Liberdade, bairro da Liberdade

Palavra da liberdade

Ela é Neide Candolina total

E a cidade, a ba¡a da cidade

A porcaria da cidade

Tem que reverter o quadro atual

Pra lhe ser igual

E eu e eu e eu sem ela

Nobreza brau, nobreza brau

 

 

[Caetano Veloso, Sobre as letras, Editora Schwarcz, São Paulo, 2003]

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Candolina_Rosa_de_Carvalho_Cerqueira

Belchior x Raul Seixas…

 

Reza uma lenda que Raul Seixas teria composto sua famosa canção “eu também vou reclamar” numa clara crítica à postura de determinados artistas, entre os quais se encontraria Belchior.

Mas é que se agora/Pra fazer sucesso/Pra vender disco/De protesto/Todo mundo tem/Que reclamar…”

Belchior, em resposta, teria escrito a belíssima “A palo seco” como uma suposta réplica a Raul, em que vociferava:

Se você vier me perguntar por onde andei/No tempo em que você sonhava/De olhos abertos lhe direi/Amigo eu me desesperava/Sei que assim falando pensas/Que esse desespero é moda em 73/Mas ando mesmo descontente/Desesperadamente eu grito em português”  

É uma história divertida, mas que não se sustenta em fatos, vez que A Palo seco foi gravada por Belchior em 1974 (no disco Mote e Glosa), e Eu também vou reclamar foi gravada apenas em 1976…

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Na verdade, me parece mais o contrário. Raul Seixas, quando compôs “Eu também vou reclamar” ele criticava um certo modismo da música brasileira de fazer protestos, como apenas uma forma de vende discos. Na canção, há referências implícitas a Belchior:

 Raul diz: Não há galinha em meu quintal” “E nem sou apenas o cantor”, “sou um rapaz latino-americano”a duas canções de Belchior, além de criticar a voz do cearense, chamando-a de “chata e renitente”, Raul ironicamente sentencia:

Eu já cansei de ver o sol se pôr / Agora sou apenas um Latino-Americano Que não tem cheiro nem sabor / (…) / Mas agora eu também resolvi dar uma queixadinha / Porque eu sou um rapaz Latino-Americano / Que também sabe se lamentar”.

Raul se refere, na verdade, às canções de Belchior:  “Apenas um rapaz latino-americano” e “Galos, noites e quintais”. 

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Mas a crítica não é somente a Belchior. Ele também considera chato Silvio Brito e sua música “Pare o mundo que eu quero descer”, bem como a “Nuvem Passageira”, de Hermes Aquino.

Percebe-se, portanto, que quem responde é Raul, pois se percebe que Belchior, em “Alucinação”, diz que não está interessado em  nenhuma teoria, nem tampouco em “romances astrais” , como refere Raul Seixas em “Trem das sete”. 

Portanto, assim como Noel Rosa e Wilson Batista, Belchior e Raul trocaram também suas farpas… quem tem razão? O “rapaz latino americano” ou quem fala do mal e o bem num “romance astral?”

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O fato é que, em 1984, a polêmica parecia superada, pois Belchior gravou “Ouro de Tolo”, de Raul…

Fontes: http://www.incomunidade.com/v22/art.php?art=19

https://universoderaulseixas.wordpress.com/2014/09/27/eu-tambem-vou-reclamar/

terça 16 setembro 2014 12:33 , em “Rivalidades” Musicais