My Way. A canção-assinatura de Sinatra (da qual ele não gostava muito)

Talvez “My Way” seja uma das canções que mais identifique Frank Sinatra. Foi, durante muitos anos, a música que encerrava seus shows, até a chegada do estrondoso sucesso “New York, New York”

Trata-se de uma versão original em francês, chamada “Comme D’Habitude” (tradução: “como de costume”), escrita pelos compositores Jacques Revaux e Gilles Thibault. Eles levaram a canção para a estrela pop francesa Claude Francois, que modificou um pouco a música, e, com isso, ganhou o crédito de coautor  e gravou a música em 1967, tendo relativo sucesso na Europa. A versão francesa conta a história de um homem, vivendo o fim de seu casamento, o amor morrendo pelo tédio da vida cotidiana.

 

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Paul Anka descobriu essa música ao visitar a França e reescreveu as letras como “My Way” quando ele voltou para Nova York. Anka disse, numa entrevista, que era madrugada, em uma noite chuvosa,  quando as palavras vieram para ele.

“Eu disse: ‘O que Frank faria com isso se ele estivesse escrevendo isso?’. E, metaforicamente, comecei a criar essa música como se Frank estivesse escrevendo: “E agora o fim está próximo. A cortina final”. Escrevi até as cinco da manhã e, no final, sabia que tinha algo que não teria medo de lhe dar.

 A letra de Anka mudou o significado de ser um homem olhando carinhosamente com a vida que viveu de acordo com seu próprio caminho, no momento em que “fecham-se as cortinas” da sua vida. Não por acaso, “My Way” é o título da biografia de Paul Anka

 

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A música foi gravada por Sinatra em 30 de dezembro de 1968, e causou alguma polêmica. Alguns viam nela um exercício de arrogância. Muitos viam como se fosse um recado do próprio Sinatra.

Na verdade, consta que Sintatra não gostava muito da música. Sempre disse que não era autobiográfica: “Não foi escrita pra mim (na verdade, como Anka disse, foi escrita pensando em Sinatra, mesmo)… As considerações, são do letrista, não minhas” 

Essa tornou-se a canção de assinatura de Frank Sinatra, mas não gostava muito dela. Já disse, em alguns shows, meio brincando, meio sério, que “detestava essa música” . Em seus últimos anos, ele descreveu a música como “um sucesso pop de Paul Anka que se tornou uma espécie de hino nacional“. Em uma entrevista de 2000 com o show da BBC Hardtalk, a filha de Sinatra, Tina, disse: Ele sempre pensou que a canção era egoísta e auto-indulgente. Ele não gostou. Essa música ficou presa a ele, que não conseguiu livrar-se dela (That song stuck and he couldn’t get it off his shoe.)

Nos anos 70, conforme relata Renzo Mora no livro que escreveu sobre Sinatra, que ele apontou as razões pelas quais não gostava de “My Way”:

“Eu sei que é um grande sucesso, e eu adoro ter grandes sucessos, mas cada vez que tenho de cantar essa música eu ranjo os dentes, porque, não importa a imagem que tenham de mim, eu odeio me gabar em cima dos outros. Eu odeio falta de modéstia, e é assim que eu me sinto com essa música” 

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O fato é que a música vai sendo construída num crescente de intensidade que termina num encerramento dramático, , que Sinatra poderia realmente vender com sua declaração, “eu fiz o meu caminho”.

O fato é que, no funeral de Sinatra, My way” foi a música que todas as rádios e redes de notícia utilizaram para lembrar-se dele.

Justifica-se porque a letra de Anka faz uma espécie de balanço da vida, e que, no fim da história, enaltece suas escolhas, minimiza os erros, e, em outras palavras, termina dizendo que o caminho escolhido valeu a pena.

A canção virou um clássico, gravada muitas vezes, embora a canção de Sinatra acaba sendo vista como a definitiva.

And now, the end is near
And so I face the final curtain
My friend, I’ll say it clear
I’ll state my case, of which I’m certain

I’ve lived a life that’s full
I’ve traveled each and every highway
But more, much more than this
I did it my way

Regrets, I’ve had a few
But then again, too few to mention
I did what I had to do
And saw it through without exemption

I planned each charted course
Each careful step along the byway
And more, much more than this
I did it my way

Yes, there were times, I’m sure you knew
When I bit off more than I could chew
But through it all, when there was doubt
I ate it up and spit it out
I faced it all and I stood tall
And did it my way

I’ve loved, I’ve laughed and cried
I’ve had my fill my share of losing
And now, as tears subside
I find it all so amusing

To think I did all that
And may I say – not in a shy way
Oh no, oh no, not me
I did it my way

For what is a man, what has he got
If not himself, then he has naught
To say the things he truly feels
And not the words of one who kneels
The record shows I took the blows
And did it my way

Yes, it was my way

E agora o fim está próximo
E portanto encaro o desafio final
Meu amigo, direi claramente
Irei expor o meu caso do qual estou certo
Eu tenho vivido uma vida completa
Viajei por cada e todas as rodovias
E mais, muito mais que isso
Eu o fiz do meu jeito

Arrependimentos, eu tive alguns
Mas aí, novamente, pouquíssimos para mencionar
Eu fiz o que eu devia ter feito
E passei por tudo consciente, sem exceção
Eu planejei cada caminho do mapa
Cada passo, cuidadosamente, no correr do atalho
E mais, muito mais que isso
Eu o fiz do meu jeito

Sim, em certos momentos, tenho certeza que você sabia
Que eu mordia mais do que eu podia mastigar
Todavia fora tudo apenas quando restavam dúvidas
Eu engolia e cuspia fora
Eu enfrentei a tudo e de pé firme continuei
E fiz tudo do meu jeito

Eu já amei, ri e chorei
Cometi minhas falhas, tive a minha parte nas derrotas
E agora conforme as lágrimas escorrem
Eu acho tudo tão divertido
E pensar que eu fiz tudo isto
E devo dizer, sem muita timidez
Ah não, ah não, não eu
Eu fiz tudo do meu jeito

E para que serve um homem, o que ele possui?
Senão ele mesmo, então ele não tem nada
Para dizer as coisas que ele sente de verdade
E não as palavras de alguém de joelhos
Os registros mostram, eu recebi as pancadas
E fiz tudo do meu jeito

 

Fontes: http://www.songfacts.com

MORA, Renzo. Sinatra: O homem e a música. São Paulo, Lemos Editorial, 2001, p.15/16

 

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Vira Virou… A história de um fado brasileiro

Kleiton Ramil, o irmão mais velho da dupla Kleiton e Kledir, tem uma composição que é, ao mesmo tempo uma homenagem a Portugal, à liberdade e à mulher portuguesa.

 

Talvez seja efetivamente um dos mais belos fados brasileiros, e representa uma inegável e bela conexão com Lisboa.

A canção, escrita no final da década de 80 tem uma bela história, contada por Kleiton a Ruy Godinho, no voilume 3 de seu livro “Então, foi assim?”

 

A Almôndegas, a minha primeira banda, tinha acabado em 1978, 79. Eu namorava uma menina que havia viajado para a Europa e me convidou pra ir junto, já que os pais dela moravam lá. Não lembro bem como é que foi, mas o namoro acabou e eu fui viajar sozinho. Fiquei uns dois meses e pouco viajando com um violão a tiracolo. Foi muito enriquecedor, eu nunca tinha ido à Europa. No meu retorno, o último País que passei foi Portugal. Lá, conheci uma cantora, que não era profissional ainda. Ela tinha uma voz muito bonita e eu fiquei falando: “Ah! Por que você não canta, não faz alguma coisa com música”? Quando voltei pro Brasil, ela me pediu pra compor uma canção”, relata.

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“Então, Vira virou foi feita para essa cantora que era muito novinha, devia ter uns vinte e poucos anos. Mas a música – isso que eu acho mais interessante – fala de Lisboa, fala do passaredo, que eu realmente vi enquanto tomava uma cervejinha, vendo os pássaros voando, muito bonito. A música, na sua essência representa não só a história de Lisboa. Eu escrevi falando de Lisboa porque era uma cantora portuguesa e eu achava interessante o argumento. Mas o conteúdo emocional, fala de uma paixão pela Europa. Até porque meu avô era espanhol e eu fiquei maravilhado.

A música tem uma força particular porque essa viagem me deixou magnetizado com algo muito bonito que eu não sei explicar com palavras. É como se a minha aura tivesse triplicado nessa viagem. Eu fiquei muito feliz, o meu coração estava cheio de felicidade”, regozija-se.

 

E agora a história interior, que segundo Kleiton é a parte musical.

“Eu a compus em Porto Alegre, em 1979. Lembro que estava desenvolvendo um encadeamento de acordes onde uma nota era mantida fixa para passar pro acorde seguinte, ou seja, coisas que eu estava experimentando há muito tempo em composição e funcionou com perfeição. Depois de muitos anos tentando, chegou. E a outra coisa interessante é que eu criei a melodia e a harmonia juntas. A melodia começava num acorde e penetrava de forma dissonante no acorde seguinte. Os músicos entendem isso com facilidade. Eram notas que se eu fosse usar de uma maneira simples, podia não funcionar bem. Mas como eram notas de passagem, o final de uma frase melódica entrava no acorde seguinte. 

 

Então, quando escrevi: Quero ver o passaredo/ pelos portos Lisboa/ voa,voa, que eu chego já a rima não está no final, está no meio da frase. Eu fiquei muito atento a isso na letra inteira”, explica.

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Numa interpretação mais apurada, Kleiton nos reserva outras abordagens sobre a criação desta música.

 

“E tem também, além dessa questão técnica, uma questão mais espiritual. Eu sempre fui uma pessoa, até certa idade, bastante… não digo pessimista, mas muito fechada, muito pesada. E eu lutava contra isso. Quando criei a letra de Vira virou me coloquei o compromisso de não escrever a palavra “não”, nem escrever palavras negativas: “nunca”, “jamais”. Eu me policiava pra não escrever. Então a música tem todos os elementos. Por isso que eu tenho o maior carinho por essa canção, Eu percebi que ali eu atingi uma maturidade como compositor. O que seria um presente pra uma cantora de Lisboa, voltou pra mim como um dos maiores presentes na minha vida”, conta emocionado.

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Mas não é só. Assim como Chico Buarque compôs “Tanto Mar”, mais explicitamente dedicada à revolução dos Cravos, em 1974, há esse componente também em “Vira Virou”. Numa entrevista ao Portal Lusa, Kleiton afirmou:  

“Quando falo a frase ‘Levo terra nova daqui’, significa em parte que estamos juntos nessa luta de renovação. Aprendemos com Portugal e desejamos que nossas experiências positivas, as lutas no Brasil, também tenham reflexos”, 

Ramil revelou que escreveu a canção após conhecer Lisboa, em 1979.

“Para um brasileiro, pisar pela primeira vez em terras lusitanas é, no mínimo, mágico” e “senti a necessidade de criar algo que eternizasse essa experiência que mudou a minha vida. A canção está ancorada no amor declarado a Lisboa, mas foi elevada acima disso, como símbolo de amor à liberdade”.

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Por fim, a inspiração. A cantora que pediu a música foi Eugenia Melo e Castro, portuguesa que já tem mais de 35 anos de carreira….

E foi na voz do MPB4 que “Vira Virou” se tornou sucesso

 

Artigo publicado no portal da Lusa(link is external) dedicado aos 40 anos do 25 de Abril.

Beware of Young Girls. De Dory Previn para Mia Farrow. Uma não-homenagem

 

Dory Previn não é exatamente uma cantora muito conhecida. Nascida em 1925, Dory casou-se em 1959 com André Previn, fazendo com ele uma parceria de sucesso. Eles compuseram para os filmes de Hollywood diversas canções, chegando, inclusive, a ganhar duas indicações ao Oscar de Melhor Canção Original.

Ocorre que um episódio da sua vida acabou sendo inspiração para sua música mais conhecida, gravada em 1970: Beware of Young Girls, uma espécie de desabafo e aviso.

Resultado de imagem para dory previnDory Previn

A canção teve como inspiração a atriz Mia Farrow. Conforme relatam Frank Hopkinson e  Michael Heatley, no livro “Músicas & Musas – A verdadeira história por trás de 50 clássicos pop“, no ano de 1968 André Previn, marido de Dory, passou a ser regente da Orquestra Sinfônica de Londres. Nessa época, ele começou a ter um affair  com Mia Farrow, que tinha 23 anos (Dory tinha 43 em 1968). Mia era ex-mulher de Frank Sinatra.

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Mia Farrow

Mia engravidou de Andre Previn, e a descoberta da gravidez por Dory, no início de 1969, levou ao fim do seu casamento com André. Como consequência, Dory teve um sério colapso, a ponto de ter sido internada e recebido  terapia eletroconvulsiva.

Quando se recuperou do trauma e voltou a trabalhar, Dory descobriu que suas composições estavam contribuindo para sua terapia e se tornando mais introspectivas. Um dos primeiros produtos de sua autoanálise foi “Beware of Young Girls”, de 1970. O arranjo musical e a letra possuem uma leveza de toque através do qual jorra seu mais amargo sentimento de traição“.

 

Quem presta atenção na letra percebe a amargura explícita de Dory, que se viu traída pelo marido, que engravidara uma mulher 20 anos mais jovem. A letra narra Mia como uma mulher traiçoeira, que se aproveita da confiança e da amizade de Dory para usurpar-lhe o marido. Em diversas passagens, as advertências:

Cuidado com as jovens que chegam à sua porta melancólicas e pálidas, com 24 anos trazendo margaridas com suas mãos delicadas

Muitas vezes elas anseiam para chorar num casamento e dançar em um túmulo

Quando ela olhou  minha cama desfeita, ela admirava minha cama desfeita

As referências a como Mia Farrow entrou na sua casa, como ela foi “amiga” de Dory, à dor que sentiu e ao vaticínio de que um dia, essa jovem de 24 anos iria deixar o seu amado estão impregnadas na canção.

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O fato é que André Previn e  Mia Farrow acabaram casando-se, tiveram  seis filhos, entre naturais e adotivos, e mantiveram boas relações depois que se divorciaram em 1979. Em 1980, Farrow começou a sair com o diretor de cinema Woody Allen, apenas nove anos mais velho que ela.

Ironicamente, o casamento de Mia Farrow com Woody Allen desmoronou publicamente em 1992, quando Farrow descobriu que Allen tinha um caso com Soon-Yi Previn, uma das filhas adotivas dela e de André, 35 anos mais jovem que Allen.

“Em 1997, Woody e Soon-Yi se casaram. Mia se recusou a voltar a ver Soon-Yi, e naquele mesmo ano publicou uma autobiografia na qual, com muito atraso, pediu desculpas a Dory. Dory voltou a trabalhar com André em 1997, a primeira vez desde 1967, em uma peça de 17 minutos para orquestra e soprano intitulada The Magic Number.”

Ela parecia, afinal, estar em paz consigo mesma. “O mundo vasculhou a minha vida, – conhece todos os meus segredos. Estou aqui para isso.”

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E, como tinha feito as pazes com Mia, foi indagada em 2008 se a traidora tinha escutado “Beware of Young Girls”. “Com o ego que tem? É claro que sim. Provavelmente emoldurou o disco e pendurou no banheiro!”

Uma canção muito triste, confessional, e várias histórias tristes que a seguiram… Dory Previn morreu em 15 de fevereiro de 2012.

A letra:

Beware
Of young girls
Who come to the door
Wistful and pale
Of twenty and four
Delivering daisies
With delicate hands

Beware
Of young girls
Too often they crave
To cry
At a wedding
And dance
On a grave

She was my friend
My friend
My friend
She was invited to my house
Oh yes
She was
And though she knew
My love was true
And
No ordinary thing
She admired
My wedding ring
She admired
My wedding ring

She was my friend
My friend
My friend
She sent us little silver gifts
Oh yes
She did
Oh what a rare
And happy pair
She
Inevitably said
As she glanced
At my unmade bed
She admired
My unmade bed
My bed

Beware
Of young girls
Who come to the door
Wistful and pale
Of twenty and four
Delivering daisies
With delicate hands
Beware
Of young girls
To often they crave
To cry
At a wedding
And dance
On a grave
She was my friend
My friend
My friend
I thought her motives were sincere
Oh yes
I did
Ah but this lass
It came to pass
Had
A dark and different plan
She admired
My own sweet man
She admired
My own sweet man

We were friends
Oh yes
We were
And she just took him from my life
Oh yes
She did
So young and vain
She brought me pain
But
I’m wise enough to say
She will leave him
One thoughtless day
She’ll just leave him
And go away
Oh yes

Beware
Of young girls
Who come to the door
Wistful and pale
Of twenty and four
Delivering daisies
With delicate hands

Beware
Of young girls
To often they crave
To cry
At a wedding
And dance
On a grave

Beware of young girls
Beware of young girls
Beware

Dory PrevinMia Farrow

segunda 25 junho 2012 02:30 , em Mulheres e suas canções

Gilberto Gil cantando Marighella?

 

Quem assistiu o filme “O que é isso, Companheiro” (dirigido por Bruno barreto inspirado na obra homônima de Fernando Gabeira),  percebe, numa cena perto do final do filme, a personagem interpretada por Fernanda Torres dizer que Gilberto Gil, numa determinada canção, gritaria o nome “Marighella”… para em seguida dizer que, para que fosse ouvido o nome corretamente, teria que ser ouvido ao contrário.

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Fiquei curioso e fui atrás da famosa canção. Em inúmeros sítios digitais e blçogs, encontrei a alegada resposta: o Grito estava na canção Alfômega, que consta de um disco gravado por caetano em 1969 (o LP tem a capa branca com a assinatura de Caetano. Foi gravado pouco depois que saíram da prisão).

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No meio da canção, Gil faz algumas onomatopeias vocais, e vi muita gente jurar que Gilberto Gil gritava nitidamente o nome “Marighella”. E, para quem não sabe, Marighella foi um dos principais personagens da luta armada contra a ditadura militar no Brasil, morto pela ditadura em novembro de 1969.

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Marighella

No livro “O que é isso, companheiro”, Gabeira relatou, após o sequestro do embaixador americano, sua mania de ouvir discos bem baixinho, quando estava escondido, na clandestinidade, para não incomodar os vizinhos:

“…Num deles, Gil gritava Marighella. No princípio foi interessante reconhecer aquele nome, mais ou menos gritado às pressas, propositalmente, não articulado. Depois era fácil acompanhar a música que, dentro de alguns segundos, ia dizer Marighella. Finalmente, era insuportável ouvir aquele grito de Marighella, repetido mil vezes, ao longo daqueles dias. Sobretudo porque num deles a televisão anunciava a morte de Marighella, assassinado em São Paulo. A morte de Marighella foi a resposta que o governo deu ao sequestro do Embaixador americano...” 

Ouvindo atentamente a canção, parece que, em certa altura, Gil, canta algo que parece ser assim: “iê, ma-ma-mar-guella!”  Veja no minuto 1:31 do vídeo abaixo 

Só que recentemente, Gilberto Gil, no documentário: “Canções do exílio: a labareda que lambeu tudo”, (que conta a trajetória de Gil, Caetano, Jorge Mautner e Jards Macalé sobre as prisões que sucederam ao AI-5, no fim de 68), desmente que tenha gritado o nome de Marighella na canção:

“Dizem, as pessoas, muita gente diz que ouvia num trecho de uma das músicas daquele disco que eu fiz quando saí do Brasil, que eles ouviam o grito do Marighella, coisa que eu nunca fiz. Eu insistentemente ouvia pra ver e eu não achava nem parecido com alguém gritando Marighellla. E na verdade o que acontecia ali eram aqueles gritos normais que eu dou até hoje no meio das minhas músicas, uma daquelas onomatopeias típicas do meu modo de me exprimir musicalmente. Mas nunca, nunca fiz menção ao Marighella, até porque eu tenho impressão que era muito destemor, seria muito destemor da minha parte, naquele momento, diante daquela situação toda fazer esse tipo de coisa.  É um mito, é uma lenda…” 

 

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Está aí a canção. Reparem nos vocais de Gil. Está no minuto 1:30 do video aqui postado.  Conseguem perceber? Ou será que é apenas uma lenda?

domingo 12 fevereiro 2012 02:10 , em As lendas