“Qualquer maneira de amor vale a pena…”

As parcerias de Caetano com Milton Nascimento são raras. Mas belas. Pessoas de estilos pessoais e musicais bem distintos, são amigos (como costumam ser amistosas as relações entre mineiros e baianos) e se admiram mutuamente.

“Qualquer maneira de amor vale a pena“, frase de Caetano para a melodia de Milton, ficou eternizada na canção “Paula e Bebeto”.

Fui atrás da história da canção… E fui ver que a história vem de um casal que era amigo de Milton Nascimento e que se separou.

“Milton conheceu Paula e Bebeto em Três Pontas no início da década de 70. Ela era uma linda garota de 15 anos e Bebeto tinha pouco mais de 17. Em uma roda de violão na praça, o casal se aproximou e amanheceu ouvindo o compositor. “Virei uma espécie de padrinho deles. Foi a história romântica mais linda, mais completa que já vi”, afirma Milton. Anos antes, ao lado de Bebeto, Milton criou a melodia e chegou a esquecê-la”. 

Certo dia, ao chegar no Rio, nos idos de 1975, Milton foi à casa de Caetano Veloso, num dia em que estava particularmente triste, haja vista a separação do casal de amigos Paula e Bebeto.

Ele me contava a história de Paula e Bebeto e chorava muito”, asseverou Caetano.

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Milton, então, começou a tocar uma melodia. Alguns dias depois, agora em sua casa, Bituca (apelido de Milton Nascimento), recebendo Caetano, começou a dedilhar novamente aquela música. “Eu e ele nos trancamos em outra sala e sentamos no chão. Milton tocou três vezes a música. As palavras entraram na minha cabeça e fechei a letra na hora”, revela Caetano.

A canção revela a história de um casal que se amava de qualquer maneira, pois “qualquer maneira de amor vale a pena, qualquer maneira de amor vale amar”.

 

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Fico imaginando qual seria a “qualquer maneira” de amor que aquele casal vivenciara, e como Caetano colocou a letra sem sequer conhecê-los. Talvez eles guardem consigo tudo aquilo que fazia daquela história de amor um amor fantástico, que “vale a pena”.

Vida, amor, brincadeira, e o amor que se revela “de qualquer maneira”. Pena por ter acabado, mas afinal, foi bonito, e “qual a palavra que nunca foi dita?“.

Percebe-se que a música foi – e quando não é? – uma maneira de eternizar um amor adolescente que cresceu, mas não resistiu ao tempo. O casal jamais reatou o romance.  A música virou um clássico  na voz de Gal Costa, e, como no título da postagem,  pelo refrão “qualquer maneira de amor vale a pena…”. 

“Esse refrão diz a coisa mais perfeita para mim”, diz Milton.

Hoje, Bebeto (Carlos Alberto Pinto Gouvêa) é casado, tem quatro filhos, e  vendeu a fazenda de seu pai, no interior mineiro, que administrou por duas décadas. Paula também se casou, teve três filhos e vive em Belo Horizonte, onde produz artigos de couro. Milton batizou um filho de cada um. Mas, como disse o próprio Bebeto, se não houvesse separação, não haveria música…

A letra:

Vida vida que amor brincadeira, vera
Eles amaram de qualquer maneira, vera
Qualquer maneira de amor vale a pena
Qualquer maneira de amor vale amar

Pena que pena que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor vale amar
Qualquer maneira de amor vale a pena
Qualquer maneira de amor valerá

Eles partiram por outros assuntos, muitos
Mas no meu canto sempre juntos, muito
Qualquer maneira que eu cante esse canto
Qualquer maneira me vale cantar

Eles se amam de qualquer maneira, vera
Eles se amam e pra vida inteira, vera
Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valerá

Fontes:http://www.terra.com.br/istoegente/322/reportagens/capa_amigos_02.htm

http://www.miltonnascimento.com.br/img/pdf/2000/nacional/05_2.pdf

http://www.seminariodehistoria.ufop.br/ocs/index.php/snhh/2011/paper/viewFile/529/391

http://pjpontes.blogspot.com/2013/04/paula-e-bebeto.html

 

 

segunda 21 novembro 2011 19:20 , em MPB