Meu primeiro show de João Gilberto

João Gilberto falece no dia 06 de julho de 2019, aos 88 anos, deixando um legado musical que poucos artistas no mundo conseguem:  verdadeiro pai da bossa nova, com sua inigualável batida de violão, que inspirou artistas não só do Brasil, mas do mundo.

Se tivemos Caetano, Gil, Chico, Edu Lobo, Elism, Gal, Bethania, Moraes Moreira, muito se deve ao violão de João.  

Em 1999 eu fui pela primeira vez a um show de João Gilberto. Na época, ele tinha causado o maior estardalhaço com as reclamações e a língua dada para o público no Credicard Hall, poucos meses antes.

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João Gilberto no Credicard Hall

João chegou com seu estilo de sempre, terno, seu violão, que ele afinava a cada canção. Brincou, inicialmente, como o “ar refrigerado”, dizendo ele queria cantar mais, mas que o “ar refrigerado” não deixava, fazendo até piadas com isso.

Antes de começar a música, ele fazia troça daqueles que diziam que ele era chato por afinar o violão a toda hora. Chegou a perguntar: já viram uma orquestra?  Os músicos afinam os instrumentos a todo tempo.

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E começou a desfilar suas canções de sempre, a bossa nova e os sambas que marcaram sua vida… Desafinado, Estate, Pra que discutir com madame, Fotografia, Isaura, até que uma mulher, na plateia, pediu, dengosamente que João fosse tocar “Joux-Joux et Balangandãs”, de Lamartine Babo. No momento em que ele estava começando a música, Faltou energia no Teatro. Foram momentos engraçados. João, sentado no seu banquinho, o teatro escuro, e alguém do público gritou: “João, não vá embora, pelo amor de Deus”… para risada geral. 

 Enfim, voltando a luz e cantada, enfim, Joux Joux et balangandãs, João começou a tocar Eu sei que vou te amar, e, no meio da música, diminuiu sua voz, para que a plateia presente cantasse ao som de seu violão. 

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Num certo momento do show, uma cena engraçada, inusitada, uma barata apareceu ao microfone, para o susto de João e risadas da plateia. A essa altura, metade do teatro já estava de pé, muitos fora de seus lugares querendo ficar mais próximos de João, e cada um deles pedia uma música, e João cantando, como se fora uma roda de violão particular com o maior violonista que eu já vi pessoalmente.

 Depois de mais de duas horas, entre coros, falta de energia e muita música, João encerrou cantando, a (meu) pedido, a música “Falsa Baiana“, de Geraldo Pereira, e foi aplaudido entusiasticamente… 

 Quem não era fã, tornou-se. Quem já era, viu um sonho… Dez anos depois ele voltaria para o Teatro Castro Alves, numa segunda exibição…

 

domingo 25 julho 2010 01:35 , em Bossa Nova

 

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