Natal das Crianças -Canção Natalina do “General da banda” Blecaute

Em 1955, Octávio Henrique de Oliveira, nascido em 1919 e falecido em fevereiro de 1983, foi apelidado de “Blecaute” ou também “General da Banda”, com´pôs uma das canções natalinas brasileiras mais conhecidas: “Natal das crianças”.

Blecaute era um compositor conhecido pelas canções carnavalescas, e também fazia parte das famosas chanchadas da Atlântida (estilo cinematográfico nacional em que há um humor ingênuo, popular.

Mas ele surpreendeu o público com uma canção singela que recebeu mais de 40 regravações. Uma letra simples, que celebra as crianças, e os símbolos natalinos, desde o nascimento de Jesus, a estrela guia, Papai Noel, as orações pela felicidade do mundo, em que um clima de bondade impera, em que todos são incluídos, até “Vóvó e Vovô”.

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Há um contraste entre esta canção, alegre, ingênua, com a outra canção brasileira de Natal conhecida: “Boas Festas“, de Assis Valente, em que há uma crítica à seletividade do “Papai Noel”.

“Natal das Crianças” é uma valsa feliz, uma canção de alegria e inspiração que virou um clássico natalino

 

 

Natal, Natal das crianças
Natal da noite de luz
Natal da estrela-guia
Natal do Menino Jesus

Blim, blão, blim, blão,
blim, blão…
Bate o sino na matriz
Papai, mamãe rezando
Para o mundo ser feliz

Blim, blão, blim, blão,
blim, blão…
O Papai Noel chegou
Também trazendo presentes
Para Vovó e Vovô

 

O Blecaute Que Iluminou O Brasil

http://dicionariompb.com.br/blecaute/dados-artisticos

Chico e Tom – as “implicâncias” por detrás de “Retrato Branco e Preto”

 

Chico Buarque por diversas vezes já homenageou seu parceiro e amigo Tom Jobim. Apenas para citar, muitos conhecem a expressão “Maestro Soberano”, cunhada por ele no disco “Paratodos”. Chico disse, no documentário “Meu caro amigo”, que as várias composições deixadas por Jobim continuam sem letras. Chico diz que gostaria de fazê-las, mas sem as “implicâncias” de Tom Jobim não teria sentido.

 

 

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Chico sempre falou brincando amistosamente desse jeito dele compor com Jobim, de estabelecer uma correspondência entre as sílabas e as notas, a prosódia musical e o sentido, e de como Jobim, músico exigente, discutia com ele sobre tais coisas.

Um dos episódios divertidos da parceria entre Chico Buarque e Tom Jobim (há muito a falar sobre isso, mas vou deixar para outras postagens), diz respeito à canção “Retrato em Branco e Preto”.

A melodia foi composta por Jobim em 1965, e se chamava Zíngaro (e foi com esse título que João Gilberto a gravou, em 1977, no disco Amoroso). Em 1968, a música foi para Chico colocar a letra. E aí Wagner Homem, no Livro Chico Buarque – História das canções (Ed. Leya, 2009), conta um pouco dessas “implicâncias” na composição da música.

Uma delas, quando o Quarteto em Cy foi gravar a canção, Chico Buarque teria decidido substituir a expressão “Trago o peito tão marcado” por “peito carregado”, sob o argumento de que o “tão” funcionou como uma muleta para completar as sílabas da canção. No entanto, Tom Jobim, que aceitara relutantemente a mudança, ligou para Chico pedindo a manutenção da versão original, porque a expressão “peito carregado” tinha a conotação de tosse. Ponto para Tom.

 

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Mas o episódio mais engraçado da música foi sobre a expressão “

“vou colecionar mais um soneto

 outro retrato em branco e preto

a maltratar meu coração”

Assim narrada por Wagner Homem:

“Em outra ocasião Tom teria dito a Chico que ninguém fala ‘retrato em branco e preto’ e que a expressão correta seria ‘retrato em preto e branco’. Ao que Chico teria respondido: ‘Então tá. Fica assim. ‘vou colecionar mais um tamanco/outro retrato em preto e branco’. Diante de uma tamancada tão convincente, Tom entregou os pontos.

E das implicâncias surgiu uma das mais belas músicas…