Negro Gato

“Negro Gato” foi um dos sucessos de Roberto Carlos da primeira fase da Jovem Guarda, e que durante algum tempo, virou um tabu no repertório de Roberto, haja vista que, por conta do seu TOC, ele, por mais de 30 anos deixou a música fora do seu repertório, voltando a cantá-la somente em 2013, isto é, 47 anos após a sua gravação original, em 1966.
A música é uma versão  da música “Three Cool Cats”, da dupla Jerry Leiber e Mike Stoller. Foi originalmente lançada pelo The Coasters em 1958. (Uma curiosidade é que a música foi gravada pelos Beatles para sua audição na Decca Records no dia de Ano Novo em 1962 em Londres, e que seria lançada apenas muitos anos depois, já que os Beatles jamais assinaram contrato com a Decca) .
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No Brasil, a versão foi composta por Getúlio Côrtes e tem uma séria de conotações distintas. Se a versão original remonta a “três gatos legais” (three cool cats) que andam de carro, dançando e atrás de algumas garotas (“chicks”), a história criada por Côrtes termina remetendo a questões de desigualdade e racismo, embora não fosse esta a intenção original do compositor
Getúlio Côrtes, o compositor da versão, conheceu a turma de Roberto e Erasmo Carlos em um programa de rádio em 1961. Embora roqueiro de primeira hora, fã de Elvis Presley e Little Richard, ele gostava de outros gêneros, tanto assim que dublava na ocasião uma gravação de Sammy Davis Jr.
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Numa Entrevista, Getúlio disse:

Antes disso, eu compunha mais no amadorismo. Fui me infiltrando na antiga CBS e, na época, o Renato estava gravando lá. Estavam faltando músicas e falei: “Renato, será que você pode ouvir isso aqui, sem compromisso?”. Era Negro gato.

P- A música foi gravada por ele antes do Roberto, então?

Foi, sim. Ele ouviu, falou: “Pô, legal, é uma faixa diferente, vou gravar”. Alguns músicos da banda não ficaram contentes, não… Teve gente que falou: “Pô, a gente tá gravando Menina linda e você vai querer botar Negro gato?”. Mas ele gostou. Na mesma época o Roberto ouviu ‘Pega ladrão’ e gravou.

Assim, em 1966, Getúlio fez uma música para o disco de Roberto Carlos, na época, no auge por conta do programa “Jovem Guarda”. A música era “O Gênio”, um rock bem-humorado e ingênuo.  Erasmo e Evandro Ribeiro, diretor artístico da CBS, também sugeriram que ele gravasse ‘Negro Gato’, que já havia sido gravada por Renato e Seus Blue Caps.
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A música preserva o estilo brincalhão de Getúlio, carioca de Madureira. Consta que, após o fim da Jovem Guarda, Getúlio praticamente parou de compor. No entanto, “negro Gato ficou marcada como um de seus maiores sucessos.
Muitos identificaram na canção uma espécie de protesto relacionado com discriminação, mas a história da canção é mais simples. Conta Getúlio numa entrevista ao Jornal do Commércio:
Construí um anexo no quintal da minha casa, em Madureira. Ficava lá, fazendo minhas coisas, e tinha um gato que não parava da me perturbar. Eu tacava pedra nele, ameaçava matar, e nada. O bicho lá, me olhando. Terminei me inspirando nele para fazer uma música. Não pensei que fosse gravar porque gato preto dá azar. Renato dos Blue Caps, ouviu e disse que iria gravar. Naquele tempo o conjunto tinha Erasmo Carlos como Crooner. A música serviria mais como enchimento de linguiça do disco do conjunto. Roberto Carlos, depois de gravar algumas músicas minhas, disse que iria gravar o negro gato do jeito dele”

 

Noutra entrevista, ele conta:

Negro gato era um gato que ficava miando perto da sua casa, não? Como surgiu essa música? O gato tem uma história… Eu morava em Madureira numa casa e não tinha acesso a disco, não tinha toca-disco, não tinha nada. Não dava para cantar as vitórias, tinha que cantar as derrotas, não é mesmo? (rindo). O meu quarto tinha um teto de zinco e ficava lá um gato preto andando em cima do teto e miando. Cara, já imaginou gato andando em cima de teto de zinco, a barulheira que é? E isso toda madrugada. Duas horas da manhã, ele tava lá enchendo meu saco. Eu tacava pedra, não adiantava nada. Só que um dia ele ficou me olhando no escuro, aqueles dois olhos me olhando no escuro. E me pus no lugar dele: pô, todo mundo diz que o bicho dá azar, machuca o gato. Aí fiz uma música em homenagem a ele.

O gato preto te deu sorte, então. Deu mesmo! O Luiz Melodia, quando foi gravar a música, me falou: “Pô, que legal que você fez uma música contra o racismo, a música tem essa conotação, etc”. Nem era nada disso, a música era pra um gato mesmo.

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Outra curiosidade, que diz respeito às superstições de Roberto, foi a mudança da letra, para tirar a palavra “azar”

CE – Roberto mudava muito as suas músicas?
GC – A única música em que ele fez modificações foi “Negro gato”. Havia uma frase que dizia “…e nessa minha vida sempre dei azar”. Roberto a mudou para “…essa minha vida é mesmo de amargar”. Fora isso, que eu me lembre, ele não mexeu em nenhuma outra. Eu o conhecia muito e sabia exatamente as palavras que ele gostava e qual era o seu estilo de cantar.

A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34

Getúlio Côrtes chega hoje aos 80 anos, lançando primeiro álbum solo

Getúlio Côrtes: “O Roberto Carlos me ajudou bastante”

http://www.gumarc.com/entrgetuliocortesmo1998.html

 

 

 

 

 

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Incidente em Miami em 1969 – The Doors

Há muitos rumores sobre a morte de Jim Morrison, da icônica banda The Doors, ocorrida em Paris, em 3 de julho de 1971. Mas há quem atribua o começo da morte de Jim Morrison a um episódio ocorrido dois anos antes, em 1º de março de 1969, que ficou conhecido como o “incidente em Miami”

Naquela noite, a banda iria se apresentar no Miami Dinner Key Auditorium, cuja capacidade estimada (e legalmente permitida) era de 7.000. Estima-se que entre 12 e 15000 pessoas estavam lá . Não havia ar condicionado e o publico estava louco. Estava bastante calor lá dentro e as cadeiras tinham sido removidas para o promotor aumentar a quantidade de espetadores.

 

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Ray Manzarek, tecladista da banda, disse numa entrevista em 1998 na Fresh air:

Estávamos em Miami. Muito quente, todo mundo suado. O local era um pântano, um buraco – um tipo horrível de lugar, um hangar de hidroavião – e 14 mil pessoas estão lotadas lá, e estão suadas“,

O show começou com atraso, haja vista que Morrison perdera algumas conexões aéreas naquele dia. Ele estava atrasado para o show por mais de uma hora, e para variar ele estava completamente bêbado, tendo bebido o dia inteiro.

A multidão começa a ouvir tão esperado começo de “Back door man”, mas Jim parece cantar absorto, ele não parece muito interessado no caos de fãs em delírio. Jim mal consegue lembrar as suas letras, interrompe as músicas pelo meio.

Morrison começa a se dirigir à multidão com frases como “ame-me, não posso fazer isso sem o seu amor, me dê um pouco de amor”. Começa com “Five to one”, mas durante o solo de Krieger, Jim solta um “Vocês são um bando de idiotas”. (min 3:30 do vídeo) e então continua nessa direção, dizendo que o público é um escravo , que em resposta começa a ficar chateado.

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Ele continua dizendo que ele não incita uma revolução, um evento, mas pede apenas que se amem, se divirtam juntos, enquanto a banda tenta detê-lo atacando “Touch me”, que depois de apenas dois versos vem novamente interrompido por Jim, que não consegue acompanhar a música e fica com raiva.

A banda tenta novamente tocar, mas nada. Em seguida, Jim continua com ““Love me two times” e “When the music’s over”, mas no intervalo central da peça Jim reinicia com diálogos com o público, incitações contínuas ao amor da multidão e contando a história de sua vida desde o nascimento até depois.

Com o vocalista agora fora de controle, a banda ataca “Light my fire”, dentro do qual ele continua com um  sermão. Durante tudo isso, também havia espaço para um fã lavar Morrison com champanhe, fazendo com que ele tirasse a camisa.

O manager dos Doors lembra: O show foi bizarro, coisa de circo, havia um tipo a carregar uma ovelha nos braços e as pessoas pareciam selvagens.“.

Vince Treanor disse: “Alguém saltou para o palco e despejou champanhe no Jim então ele tirou a camisa, estava todo molhado. ‘Vamos ver um pouco de pele, vamos ficar nus.’ disse ele, e a audiência começou a despir-se. Uma coisa levou à outra.

 

A partir daqui, versões são conflitantes: há quem diga que:

a) Jim incita à nudez,

b) usa a camisa para se cobrir na virilha;

c) faz movimentos estranhos com a mão por trás;

d) pergunta à plateia se queriam ver o seu pênis

e) fez uma simulação de “sexo oral”  sobre os joelhos na frente de Krieger durante um solo.

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No dia seguinte, talvez prevendo as complicações que viriam a seguir, a banda entrou em férias e saiu dos Estados Unidos.

Em 5 de março já havia um mandado de prisão para Morrison por exibição indecente e obscenidade. Com isso, um a um, os shows de uma enorme turnê pelos Estados Unidos foram cancelados até que esta, por completo, teve o mesmo destino.

 

Em novembro de 1969, Jim compareceu à polícia e se declarou  inocente, seguindo-se uma longa querela judicial, cheia de depoimentos controversos de ambas as partes. Apenas em setembro de 1970, Jim foi considerado culpado, sendo condenado por atentado ao pudor e a trabalhos forçados por seis meses, além do pagamento de multa. Os advogados de Jim recorreram da sentença e ele foi libertado após pagar uma fiança de US$ 50.000.

 

Segundo Sérgio Pereira Couto, após o incidente em Miami,

“A única aparição do grupo foi num especial da rede de TV PBS, em que apresentam algumas canções do álbum seguinte, The Soft Parade. Com isso, a aparência de Morrison mudou completamente: do visual definido pelos jornalistas como o de “um jovem Adônis” ele apareceu em cena com uma barba densa, gordo, usando óculos de aviador e um pesado
casaco marrom.

Quando o quinto álbum, Morrison Hotel, ficou pronto, tanto a banda quanto o próprio Morrison já se achavam exauridos pelo enorme prejuízo financeiro da turnê cancelada e pelo fantasma de Miami que rondava seus negócios sem parar. Um cansativo julgamento aconteceu e o cantor foi acusado de profanidade e exposição indecente. O veredicto foi contestado e o processo ainda corria quando Morrison morreu.

Apenas em 2010 a Justiça da Flórida admitiu que não havia provas suficientes para condenar Jim Morrison, cantor do Doors, pelos crimes pelos quais fora acusado.

O incidente e suas consequências mandaram Morrison e o grupo para uma pirueta que terminou com a morte de Morriso.

O que Jim queria? Segundo Manzarek,

 “E Jim viu o The Living Theatre [um grupo de teatro que experimentou quebrar a quarta coluna e confrontar o público] e ele vai fazer a sua versão do The Living Theatre. Ele vai mostrar a essas pessoas da Flórida o que é o xamanismo psicodélico da West Coast.” 

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https://whiplash.net/materias/news_856/120358-doors.html

https://www.npr.org/2010/12/10/131960761/what-really-happened-at-the-doors-1969-concert

https://www.miaminewtimes.com/news/i-was-there-the-doors-miami-concert-was-a-mythic-ripoff-6556283

4 momentos controversos de Jim Morrison

Couto, Sérgio Pereira. Segredos e Lendas do Rock. São Paulo, Universo dos Livros, 2008

“Beto Bom de Bola” – vaias e violão quebrado no Festival da Record 1967

 

A chamada “Era dos Festivais”, que ocorreu no Brasil na segunda metade da década de 60, produziu tantos frutos e histórias que modificaram, por completo, a história da Música Popular Brasileira. Um dos festivais mais marcantes, sem dúvida, foi o III Festival da Música Popular Brasileira, da Rede Record, em 1967.

Naquele ano, o festival era assunto obrigatório nas universidades, nos bares, todo mundo tomava partido de uma ou de outra canção. No teatro Record aparecia uma nova geração da Música Brasileira: Chico Buarque (Roda Viva), Gilberto Gil (Domingo no parque), Caetano Veloso (Alegria, Alegria), Roberto Carlos (Maria, carnaval e Cinzas), Edu Lobo (Ponteio), Elis Regina (O Cantador), Nara Leão (A estrada e o violeiro), Jair Rodrigues, Geraldo Vandré (Ventania), Nana Caymmi (Bom Dia), Sérgio Ricardo (Beto Bom de Bola) e MPB 4 (Gabriela) competiam entre si em um programa ao vivo.

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Para se ter uma ideia do nível alto do festival, “Eu e a Brisa” (Johnny Alf), “Menina Moça” (Martinho da Vila) e “Máscara Negra” (Zé Keti), músicas que se transformaram em clássicos da música brasileira, não se classificaram para a final.

No entanto, o festival de 1967 foi marcado pelas vaias. O clima do festival parecia de torcida de futebol, em que as músicas preferidas eram ovacionadas, e as outras, hostilizadas, lembrando que boa parte do público presente no auditório integrava uma nascente esquerda universitária.

Um acontecimento marcante nesse festival foi a vaia estrepitosa, seguida da reação irada do cantor Sérgio Ricardo, quando fora defender sua canção “Beto Bom de Bola”,música que contava a ascensão e a queda de um jogador de futebol, que teria alcançado a glória e depois esquecido.

 

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Sérgio Ricardo, ao contrário de Gil, Chico e Caetano, não era um novato. Era um compositor conhecido, apenas para exemplificar, foi ele o responsávcel pela trilha sonora de Deus e o Diabo na Terra do sol, de Glauber Rocha.

Quando foi se apresentar, Sérgio Ricardo, mesmo antes de começar a cantar, foi recebido com duras vaias. Sérgio, então, pede calma ao público, diz que o público vaia a si mesmo, mas de pouco adiantou.

 Zuza Homem de Mello (que era técnico de som do festival e que escreveu um magníficio livro chamado A era dos Festivais), revela que teve que desligar todos os microfones da plateia e ligar apenas os do palco.

 

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 Sergio Ricardo tentou seguir, mesmo com as vaias. No entanto, com tamanho barulho, Sergio terminou por desafinar, entrar em dessincronia com o conjunto que o acompanhava, o ritmo atravessava.

Em determinado momento, ele chegara a afirmar que iria mudar o nome da música para “Beto bom de vaia”.

Nada adiantou. Já no fim da canção, Sergio Ricardo bradara para o público:  “Vocês ganharam! Vocês ganharam! Isso é o Brasil subdesenvolvido! Vocês são uns animais!”.

E a cena que ficou para a história: o violão sendo espatifado, contra um suporte que estava no palco, e em seguida arremessado à plateia.

Zuza Homem de Mello assim narrou o fato, no seu já citado livro A era dos festivais:

 

Viria então a sétima música da final, com a qual Sérgio Ricardo mantinha esperanças de vencer, uma certa ilusão ante uma das mais fracas composições de sua bela obra. Antevendo a possibilidade de se repetirem as manifestações da eliminatória, Blota Jr. Fez um pequeno nariz-de-cera, pediu atenção para o novo acompanhamento em “Beto Bom de Bola” e um voto de confiança na sua apresentação. Sorridente e confiante, Sérgio, com um pé sobre o banquinho, aguardava que o bulício do público se extinguisse e, diante da inquietação que existia, em vez de começar, tentou dialogar com a platéia: “Eu quero que vocês me ouçam um instante. Aqui na platéia há gente inteligente”. Quem estava no fosso lar “Canta! Canta!”. Sérgio continuou: “Vocês podem vaiar. Depois deste festival a minha música vai chamar “Beto Bom de Vaia”. A blague surtiu um efeito desastroso. Em vez de se aquietar, a platéia se excitou; surgiram vaias assustadoras e grande parte do público ficou de pé como se ouvisse uma caçoada. Na coxia, o nervosismo aumentou, e todos o compeliam a cantar de uma vez. Sérgio ainda tentou convencer o público: “Atenção.. um minutinho”. Não conseguia ser entendido, as vaias ensurdecedoras encobriam com folga o som de sua voz. Apenas o seu microfone Philips, duro e apropriado para captar somente a voz do cantor, estava aberto e, ainda sim, ele mal era ouvido pelos alto-falantes.

Finalmente, Sérgio começa. Levanta o braço direito e solta um longo “Aaaaaah!” antes de iniciar a canção: “Homem não chora por fim de glória […] é, é, é ou não é/ Bebeto é bom de bola”. Estavam abertos para o recinto do Teatro apenas o seu microfone, o do coro dos quatro cantores e os do Quarteto Novo. Mas aquela massa sonora vinda da platéia penetrava com mais intensidade de volume, superando a dos que cantavam e tocavam, ainda que a centímetros de distância. Não havia solução, Sérgio não conseguia ouvir nem Théo de Barros, que estava a uns três metros de distância. Desorientado, olha para os acompanhantes sem saber sequer em que ponto estavam. Ao entrar na terceira parte, “Beto vai chutando pedra/ cheio de amargura/ num terreno tão baldio/ quanto a vida é dura…” Sérgio diz: “Não consigo nem ouvir o som”. Naquela época, não havia monitores. Canta mais um trecho, “e foi-se a glória/ foi-se a copa/ e a nação esqueceu-se do maior craque da história” e faz uma pausa, já bastante preocupado. As vaias se intensificam. Sérgio recomeça: “quando bate a nostalgia/ bate noite escura […] onde outrora foi seu campo/ de uma aurora pura” e, finalmente, desiste de uma vez. Arranca o microfone do pedestal e proclama: “Vocês ganharam! Vocês ganharam! Mas isso é o Brasil desenvolvido. Vocês são uns animais!”. E repete a última frase. Caminha para lateral, quando Blota se aproxima e toma-lhe o microfone. Sérgio resolve sair de vez, dá mais três passos, pára e, visivelmente transtornado, ergue o violão e o arrebenta contra um pedestal. Em seguida impulsiona o braço direito para trás, e numa atitude inimaginável, arremessa o violão quebrado na platéia. No instante em que o violão voava sobre o poço da orquestra, naquele átimo, a sensação foi de que a televisão sairia do ar e o Festival seria suspenso. Os espectadores das primeiras filas erguem-se levantando os braços par se protegerem e o violão cai sobre alguém na terceira fila. Blota e Sérgio estavam brancos. Blota, que tentara evitar o gesto imprevisível, ajuda-o a sair pela lateral, voltando inquieto para verificar se alguém se feriu. Pergunta: “Está tudo bem aí? Aconteceu alguma coisa?”. Ninguém ferido. Théo de Barros ficara tão apavorado que alguém da platéia mandasse o violão de volta que, furtivamente, se protegera atrás do piano.  

Sérgio Ricardo, mais de 30 anos após o episódio, comentou o fato numa entrevista:

“Eles eram positivos para os novos compositores, que precisavam mostrar seus trabalhos. Eu já era conhecido e não deveria ter concorrido, mas para Chico, Gil, Caetano, Edu Lobo e outros, os festivais foram importantes. Hoje as gravadoras só pensam em retorno comercial e não em cultura. Isso é sério, porque pessoas de valor não encontram meios de divulgar seus trabalhos e os festivais cumpriam esse papel”.

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No livro “Quem quebrou meu violão”,do próprio Sérgio Ricardo (Record, 1991), ele narra, em primeira pessoa, o episódio.  O livro é interessante, tem um viés ideológico muito forte acerca da música e da cultura popular brasileira, Vou transcrever aqui apenas o trecho da vaia e do violão quebrado:

“Entrei debaixo de vaia.

O teatro, preparado, como todos, para projetar o som do palco, tinha sua função arquitetônica invertida, de sorte que o barulho vindo da plateia para o palco condensava-o naquele pequeno espaço, tornando-o insuportável.

(…)

No fosso da orquestra, onde estavam dispostos os jurados, havia silêncio e perplexidade. Com toda certeza sabiam que aquele protesto era era dirigido, em última análise, à sua decisão por ter classificado a minha música. Alguém me fazia sinais para começar a cantar. Odiei aquela pessoa naquele instante; mas ela tinha um fone de ouvido e apenas recebia ordens. Odiei então seus mandantes. A que ponto chegavam aqueles abutres!, pensei. Mas que diabo era aquilo que estavam fazendo com seus artistas? O desrespeito era da parte de todos. Aquela ordem era a frieza dos responsáveis pelo programa, pela televisão, pouco ligando para o que estaria representando para cada um de nós aquela desmoralização tão escabrosa, tão desumana. De nenhum lado vinha qualquer solução àquela aberração, àquele despropósito. Demagogicamente, Blota Júnior atiçou ainda mais a selvageria, quando tentou solicitar a compreensão do público. O delírio aumentou ainda mais. Ainda sob controle, eu não me autorizava cantar sem o devido respeito da plateia. Fiz gestos, solicitei silêncio, usei de todos os recursos de tolerância possíveis, e nada. Não havia o que pudesse calar o solo de vaia que aquela plateia ensaiara para seu grande momento de participação.

(…)

 

Tendo vivido tanta coisa, já não me via ali tão só.  Senti-me na pele dos que haviam passado pela mesma situação, absolutamente sós naquele instante em que a crueldade do ser humano se revelava da forma mais covarde. Não havíamos estuprado ninguém, só queríamos cantar.

(…)

E foi então que, mais fortalecido, resolvi cantar para ver no que dava. Não deu em nada. Era o inferno. Arrependi-me de haver tentado. O que fazer? sair dali humilhado, chorando, como alguns fizeram? 

(…)

 Como se configurasse, inconscientemente, um processo de metamorfose no qual plateia não fosse mais plateia, e sim o gigantesco corpo do atavismo brasileiro em seu delirio de equívocos, estratificado através de sua história por um lado, e por outro, do vazio de minha solidão, transformando em veredas pelas quais uma romaria silenciosa das vítimas conscientes e silentes caminhassem em minha direção num socorro solidário, atendendo ao chamado daquela angústia, compartilhando comigo aquele momento dramático, assim como já o faziam fisicamente no palco os companheiros do Quarteto Novo; em lugar de lágrimas, incitava-me a alguma atitude uma profunda revolta contra tal processo, ativando-me a intuição. Antes de qualquer ação, ordenei-me cautela e inteligência. Algo já me balbuciava que aquele desaforo eu não levaria pra casa. Como, ainda não sabia. Continuava confiante na centelha do meu improviso,. Revoltado, o sangue me subiu, arranquei o microfone do pedestal e me entreguei aos Orixás:

– Vocês ganharam!… Vocês ganharam!… Este é o país subdesenvolvido… Vocês são uns animais!…Vocês são uns animais!…

Blota tomou-me o microfone. Vi um banquinho à minha frente. Em resposta à crescente indignação, quebramos – eu e todos que se somavam no meu coração – o violão e o atiramos contra a plateia, acordando-a daquele transe, ainda que o gesto viesse a significar o fim da minha carreira profissional. 

 

Virou História.

 

Fontes: MELLO, ZUZA HOMEM DE,  A Era Dos Festivais: Uma ParabolaEDITORA 34,2003. 

http://www.festivaisdobrasil.com.br/Historias%20e%20%20textos/historiadosfestivais_parte03.htmhttp://www.eradosfestivais.com.br/festivais.php?idMidia=14&idFestival=7

Ricardo, Sérgio, Quem quebrou meu Violão, Record, 1991

Azul da Cor do Mar… Quando Tim Maia ainda não era Tim Maia, em 1968

Talvez vocês nunca tenham ouvido falar em Juan Senon Rolón, um paraguaio que se tornou conhecido no Brasil como o cantor Fabio. No final da década de 60, Fabio, fazia um certo sucesso como cantor, enquanto Tim Maia ainda batia cabeças por aí.

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Fabio e Tim eram amigos, até que certo dia, conforme relata Nelson Motta no seu livro “Vale Tudo” (Objetiva, 2007), Tim tinha deixado São Paulo, e tinha pedido acolhida a seu amigo Fabio, que morava com seu empresário num apartamento em Botafogo, no Rio de Janeiro. Tudo o que podia ser oferecido a Tim era o chamado “dromedário”, um sofá que tinha duas “corcovas” capazes de desconjuntar a coluna de qualquer um.

Tim, então passou um tempo morando com Fabio e dormindo no “dromedário”.  Fabio, aproveitando o sucesso como cantor, bebendo, transando, levando inúmeras meninas para o apartamento. E Tim Maia, sem dinheiro, anônimo, não ficava com ninguém. Então Fabio, no livro “Até Parece Que Foi Sonho – Meus 30 anos de Amizade e Trabalho com Tim Maia”, conta como surgiu a inspiração, nesse momento, para que fosse escrita “Azul da cor do Mar”

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o que ele menos gostava, ao fim de cada show, era que eu levasse as meninas para ‘comer’ lá em casa e ele não comia ninguém. Ficava na sala, sentado no ‘dromedário’, decerto imaginando o que fazíamos dentro do quarto e o que aquelas jovens vadias sussurravam tanto ao meu ouvido com suas vozes manheiras, e gemidos, e gritinhos. Ele não conseguia escutar… às vezes, chorava de tristeza na sala, enquanto eu ria no quarto com as meninas“.

Consta que numa noite, após Fabio e Glauco voltarem de uma apresentação em Salvador, Tim Maia surpreendeu ambos com uma canção inspirada num poster pregado na parede da sala, uma mulher nua à beira mar…

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E ele fez essa canção-desabafo, dizendo que se o mundo inteiro pudesse ouvi-lo, ele,  um rapaz de 27 anos que já vivera inúmeras experiências (passando até pela prisão e deportação nos Estados Unidos), e com aquela certa inveja de que ele (Tim) teria nascido pra chorar, enquanto seu amigo Fabio ria…

E ele dizia que, mesmo triste, buscava uma razão para viver, e via naquele poster, naquela mulher imaginária, um sonho azul, azul da cor do mar…

Ao ouvir a cação, Fabio disse: “Meu amigo, você acaba de compor a música de sua vida!”

Consta que Tim, na hora, não deu muita importância, e apenas continuou cantando… A música foi gravada por ele em 1970, e acabou se tornando um grande sucesso. O resto é história…

Ah!
Se o mundo inteiro
Me pudesse ouvir
Tenho muito pra contar
Dizer que aprendi…

E na vida a gente
Tem que entender
Que um nasce pra sofrer
Enquanto o outro ri..

Mas quem sofre
Sempre tem que procurar
Pelo menos vir achar
Razão para viver…

Ver na vida algum motivo
Pra sonhar
Ter um sonho todo azul
Azul da cor do mar…

Come Together – O jingle que se transformou num grande sucesso e a última música gravada pelos Beatles juntos

Timothy Leary era um psicólogo que se tornou famoso por experimentar o LSD como uma forma de promover a interação social e aumentar a consciência. Leary fez muitas experiências com voluntários e com ele mesmo e sentiu que a droga tinha muitas qualidades positivas, se tomadas corretamente.

Em determinado momento, Leary chegou a ser candidato a governador da Califórnia, concorrendo contra o futuro presidente da República, Ronald Reagan. Leary, por conta de seus experimentos com drogas, chegou inclusive a ser preso.

 

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Quando pré-candidato ao governo, em 1969, Leary pediu a John Lennon que escrevesse uma música para ele. “Come together, join the party” (algo como junte-se à nós, junte-se à festa)  era o slogan da campanha de Leary (uma referência à cultura das drogas que ele apoiava). O  slogan deu a Lennon a ideia para essa música.

Em uma entrevista de 1980 para a revista Playboy , John Lennon disse: “A coisa foi criada no estúdio. É uma expressão que Tim Leary inventou para o governo da Califórnia contra Reagan, e ele me pediu para escrever uma música de campanha. Eu tentei e tentei, mas não consegui pensar em uma, mas eu pensei em ‘Come Together’, o que não seria bom para ele – você poderia não tem uma música de campanha como essa, certo?

Este mote virou inspiração para um grande sucesso dos Beatles…

 

Segundo a revista Rolling Stone, “Come Together” ficou no #9 entre as músicas dos Beatles, e sua história foi assim contada:

Come Together” era originalmente um slogan de campanha para Timothy Leary, que estava concorrendo a governador da Califórnia contra Ronald Reagan nas eleições de 1970. O guru do LSD e a esposa dele, Rosemary, foram convidados a ir a Montreal participar do “Bed-In”, protesto de John Lennon e Yoko Ono em junho de 1969, e cantaram junto na gravação de “Give Peace a Chance” (além de ganharem uma menção na letra). Lennon perguntou a Leary se havia algo que ele podia fazer para ajudar sua candidatura. “Os Leary queriam que eu compusesse o tema de campanha”, contou Lennon, “e o slogan era ‘Come together””. Ele bolou o que chamava de “uma coisa para cantar junto”, e Leary levou a fita demo para casa e tocou em algumas estações de rádio.

Mas Lennon decidiu que queria fazer outra coisa com a letra que havia começado, em vez de terminar a música de campanha. Quando levou a nova música de campanha. Quando levou a nova música para as sessões de Abbey Road, ela era muito mais rápida que a versão final e mais obviamente baseada em “You Can’t Catch Me”, de Chuck Berry a frase de abertura, “Here come old flat-top”[“Lá vem o velho flat-top”], foi tirada diretamente da gravação de Berry  de 1956 (logo após o lançamento de Abbey Road, o Publisher de Berry processou os Beatles por violação de direitos autorais; o caso foi encerrado com um acordo em 1973, com Lennon concordando em gravar três músicas de propriedade da companhia – duas canções de Berry no álbum Rock’n Roll e “Ya Ya”, de Lee Dorsey, Em Walls and Bridges).

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LENNON ficou empolgado com a candidatura e se propôs a fazer um jingle da campanha. O slogan de LEARY – “Come Together, Join the Party”, retirado do I Ching seria uma celebração à vida, na qual todos seriam os convidados a participar. LENNON criou uma versão “bruta”da canção e repassou a LEARY que a colocou nas rádios alternativas. Percebendo o potencial da faixa, JOHN a gravou para o compacto britânico que tinha “Something” no lado B.

Em dezembro daquele ano, a candidatura de LEARY sofreu um grande choque, quando o mesmo foi preso por porte de maconha. Na cadeia ouviu a versão definitiva na rádio, do então recém lançado álbum “Abbey Road”. Segundo declarou, anos depois para a revista Rolling Stone, LEARY ficou aborrecido e mandou uma carta para JOHN, expressando seu desagrado.

De acordo com ele, LENNON respondeu: “Que ele era um alfaiate, e eu era um cliente que pediu um terno e nunca voltou.

john lennon timothy leary

Rosemary Leary, Timothy Leary, Yoko Ono e John Lennon no “Bed In” em Montreal (fonte: Beatlepedia)

Paul McCtney tinha algumas sugestões para melhorar a música, como relembrou em The Beatles Anthology. “Eu disse: Vamos desacelerá-la com um clima de baixo e bateria pantanoso’. Fiz a linha de baixo, e tudo fluiu a partir daí.” Lennon disse que a parada “over me”, no fim do refrão, começou como uma paródia de Elvis. Os versos eram uma pilha de trocadilhos e piadas internas disparadas rapidamente, inventados no estúdio. A mensagem era clara quando ele exclamava no fim do segundo verso: “One thing I can tell you is you got to be free”[“Uma coisa que eu posso te dizer é que você precisa ser livre”]. Mas para Lennon, o ritmo hipnótico era a coisa mais importante. “Era uma gravação que tinha funk – é uma das minhas faixas favoritas dos Beatles. Tem algo de funk, de blues, e estou cantando muito bem.”

Depois do antagonismo de Let it Be, era quase impossível imaginar a banda voltando a esse tipo de colaboração. “Se eu tivesse que escolher uma música que mostrasse os quatro talentos díspares dos rapazes e os modos como eles os combinavam para fazer um grande som, escolheria ‘Come Together’’’, disse George Martin. “A música original era boa, e com a voz de John ainda melhor. Então Paul tem a ideia deste incrível pequeno riff. E Ringo ouve isso e faz uma coisa na bateria que se encaixa perfeitamente, e que estabelece um padrão que John aproveitou para fazer a parte em que diz ‘shoot me’ [‘atire em mim’]. E então há a guitarra de George no fim. Os quatro juntos tornaram-se muito, muito melhores que seus componentes individuais.” “Come Together” foi a fagulha final deste espírito rejuvenescido: foi a última música gravada pelos quatro Beatles juntos.

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“Marcha da quarta-feira de cinzas”

 

Em 1963, Carlos Lyra e Vinícius de Moraes escreveram uma das canções icônicas, com uma temática diferente daquela levada a cabo pela ala jovem da Bossa Nova; a Marcha da Quarta-Feira de Cinzas.

Carlos Lyra foi o responsável pela melodia, e a letra ficou a cargo de Vinícius.

 

Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello, no volume 2 de sua canção no tempo, fazem um comentário sobre as canção:

“Composta antes de 1964, a “Marcha da quarta-feira de cinzas” é assim uma espécie de protesto premonitório contra a realidade imposta pela ditadura militar. Pertence àquela fase inicial do CPC (Centro Popular de Cultura) em que Carlos Lyra incorpora à sua obra uma temática político-nacionalista, tendo sido feita no mesmo dia em que ele e Vinícius haviam concluído o “Hino da UNE” (“De pé a jovem guarda / a classe estudantil / sempre na vanguarda / trabalha pelo Brasil…”).

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Mas, com sua mensagem disfarçada no lirismo melancólico de uma marcha-rancho, a composição pode ser considerada um belo exemplar do gênero música de protesto: “Acabou nosso carnaval / ninguém ouve cantar canções / ninguém passa mais brincando feliz / e nos corações / saudades e cinzas foi o que restou…” A passagem com o acorde de sétima maior de dó antecedendo a frase “e no entanto é preciso cantar”, após a pungente primeira parte, cria um momento mágico, na medida em que envolve a plateia inteira e a faz cantar suavemente embalada por um simples violão.

Um clássico de seu tempo, a “Marcha da quarta-feira de cinzas” é uma daquelas raras canções capazes de encerrar com elevada dose de emoção um espetáculo musical. Embora consagrada pela voz de Nara Leão, teve sua gravação inicial por Jorge Goulart em fevereiro de 1963 .

A canção, feita em 1963, permitiu que, nos anos seguintes, se fizesse interpretar como uma alegoria sobre a ditadura militar, que eclodiu em 1964, quando se dizia que “acabou nosso carnaval” , e que ninguém cantava feliz e restavam apenas saudades e cinzas.

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Mas, ao mesmo tempo, incita de que “no entanto é preciso cantar”, como se fosse uma incitação à resistência política.

Assim, a música ficou registrada no imaginário popular como uma canção de resistência ao golpe de 1964. Mas, segundo Carlos Lyra, “a música não tinha implicação política, a melodia não conta nada dessas coisas”.

Lyra explica que a letra, no entanto, “levou muita gente a pensar que fosse uma resposta ao golpe. Era uma canção de premonição”, afirma, especulando que talvez seu parceiro, Vinicius de Moraes, “tivesse bola de cristal”. As duas pessoas da bossa nova que eram ligadas à esquerda “éramos eu e Vinicius”, assegura.

 

https://noticias.uol.com.br/politica/2009/03/31/ult5773u927.jhtm

Beatles e Beach Boys… Uma rivalidade pouco comentada.

Quando se pensa em rivalidades entre bandas de rock nos anos 60, é comum falar nas rivalidades entre os Beatles e os Roling Stones. No entanto, Paul McCartney disse que os maiores rivais dos Beatles não eram os Rolling Stones e sim os Beach Boys.

Alguém pode argumentar que os Beach Boys não alcançaram a notoriedade dos Beatles, mas é fato incontroverso que o grupo californiano foi inspirado e inspirou os Beatles.

Num interessante livro “Como John Lennon Pode mudar sua vida”, há um pequeno resumo dessa rivalidade, muito mais no campo artístico do que nas vaidades da fama:

Havia uma rivalidade transatlântica entre os dois grupos, que passaram dois anos em busca da superação, à procura do pop perfeito,inspirados pela obra do rival. Com Rubber Soul, lançado no final de 1965, os Beatles deixam de lado a inocência dos primeiros lançamentos, a exemplo do quinteto californiano, que ganhara as paradas de sucesso fazendo um rockabilly irresistível, conhecido como surf music (mesmo se apenas um de seus integrantes fosse surfista”.   

 

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Gabriel Menezes, no seu blog (www.blogcena.com) refere:

No início dos anos 60, os Beach Boys estouraram nos EUA com suas músicas falando sobre a Califórnia e acima de tudo sobre surfe. Mal tinham se acostumado com o sucesso quando sofreram um enorme revés, a invasão britânica. De uma hora para outra os americanos só queriam ouvir bandas do Reino Unido, deixando assim os grupos nacionais em segundo plano. Os grandes responsáveis por isso sem dúvida nenhuma foram os Beatles. Brian Wilson, líder dos Beach Boys, afirma que eles  “morriam de inveja do sucesso dos Beatles”. 

 

Voltando ao livro Como John Lennon Pode mudar sua vida:

Quando Rubber Soul chegou ao mercado, Brian Wilson, líder dos Beach Boys, apaixonou-se de imediato pelo disco e suas sofisticações. Harmonias vocais elaboradíssimas, arranjos celestiais de piano e cordas em algumas canções e um sedutor frescor pop que persiste até hoje. Ao ouvir aquilo, Wilson almejou criar um disco que superasse Rubber soul, uma tarefa árdua até hoje.     

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Dessa forma, os Beach Boys lançaram “Pet Sounds”, uma obra prima que se encontra em qualquer lista dos melhores álbuns da história do Rock. O próprio Paul McCartney, à época, chegou a dizer que era o melhor disco da história (o que seria uma jogada para instigar seus colegas de banda a superá-los mais uma vez), e afirmando que a mais bela canção de amor seria “God only knows”,de Brian Wilson.

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“Pet sounds” chegou às lojas em 1966, na mesma época em que os Beatles lançaram “Revolver”.

Em 1967, todavia, os Beatles fizeram um álbum então insuperável, que foi “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (eu, pessoalmente, acho que esse disco não envelheceu tão bem quanto outras obras-primas dos Beatles, como o White Album e, sobretudo, Abbey Road). O disco que mudou a história do rock e da música pop novamente instigou Brian Wilson, que planejava contra-atacar com o álbum “Smile”.

 

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Todavia, Wilson estava esgotado  e abatido, sobretudo pelo consumo de drogas (não foram poucos que disseram que o álbum não teria sido lançado porque “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” seria um disco insuperável).  Somente no ano de 2004 “Smile”saiu.  Muita gente se pergunta, todavia, até onde iria essa disputa, caso “Smile” fosse mesmo lançada em 1967.

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Mais uma história interessante sobre rivalidades… essa, apenas no campo criativo.

 

 

Fontes: http://www.blogcena.com/2009/10/rivalidade-entre-os-beatles-e-os-beach.html

Como John Lennon Pode Mudar A Sua Vida, : Alexandre PetilloPablo KossaEduardo Palandi, Geração Editorial.

segunda 09 agosto 2010 04:58 , em “Rivalidades” Musicais