Back in the USSR. Quando os Beatles se inspiraram nos Beach Boys e chegaram a ser acusados de comunistas.

Back in the USSR, que integra o famoso álbum branco dos Beatles, em 1968, é uma canção escrita sobretudo por Paul McCartney e tem uma série de homenagens e curiosidades.

 

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O título foi inspirado numa canção de de Chuck Berry, “Back in the USA”, e surgiu a partir de uma influência dos Beach Boys, banda californiana contemporânea ao Beatles.

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Como conta Steve Turner, no livro “The Beatles:a História por Trás de Todas as Canções”,

 

“em fevereiro de 1968, os quatro Beatles e suas parceiras viajaram para Rishikesh, Índia, para estudar meditação transcendental com o Maharishi Mahesh Yogi. Outros três músicos profissionais participavam do mesmo curso – o cantor escocês Donovan, o flautista americano Paul Horn e o Beach Boy Mike Love. Eles acabaram passando muito tempo juntos, conversando, tocando e compondo.

Uma das músicas que surgiu desse encontro é “Back In The USSR”, escrita por Paul como um pastiche dos Beach Boys e de Chuck Berry. A gênese da canção foi um comentário de Love para Paul feito durante um café da manhã. “Não seria divertido fazer uma versão soviética de ‘Back In The USA’?”, Love sugeriu, referindo-se ao single chauvinista de 1959 em que Berry declara como está feliz por voltar aos civilizados EUA, com seus cafés, drive-ins, arranha-céus, hambúrgueres e juke boxes. Os Beach Boys tinham usado “Back In The USA” e “Sweet Sixteen”, de Berry, como inspiração para “California Girls” e “Surfin’ USA”, em que exaltam as virtudes das garotas e das praias locais.

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Paul seguiu a sugestão de Love e criou uma paródia que fazia pela USSR o que Berry tinha feito pelos EUA, e pelas mulheres soviéticas o que os Beach Boys tinham feito pelas garotas da Califórnia.

 

 

Então, vê-se a sequência: os Beach Boys haviam sido influenciados por “Back in the USA”  para criar “California Girls” e “Surfin Usa”. E Paul se inspirou nos Beach Boys para Fazer Back in the USSR

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Prossegue Turner: Após uma década de canções que faziam poesia com lugares como no rock’n’roll. “Eu simplesmente gostei da ideia de garotas da Geórgia falando de lugares como a Ucrânia como se fossem a Califórnia disse Paul. Em homenagem a Love, a gravação final dos Beatles imitou os backing vocal dos Beach Boys.

Em uma entrevista de rádio em novembro de 1968, Paul declarou:

“Na minha cabeça, é só sobre um espião (russo) que ficou muito tempo nos EUA e se tornou muito americano, mas quando volta para a União Soviética diz ‘deixe para desfazer minha mala amanhã, querida, desligue o telefone’, e tudo o mais, mas para mulheres russas”.

A letra realmente fala sobre garotas de várias partes da URSS (Ucrânia, Moscou e Geórgia), inspirando-se como o ‘California Girls’ do Beach Boys falam das garotas da California.

 

Uma curiosidade: durante as gravações, Ringo desentendeu-se e brigou com a banda. Conta o site undiscovermusic:

Embora a concepção da música possa ter sido relativamente direta, sua apresentação foi menos fácil. Como muitas das músicas do “White Album” escritas na Índia, o grupo gravou uma demo de ‘Back In The USSR’ no esher de George Harrison , Kinfauns, em maio de 1968, logo após retornar à Inglaterra. Mas quando eles gravaram a música no Abbey Road, já era meados de agosto e as tensões estavam aumentando.

Ringo estava se sentindo infeliz com a maneira como as coisas estavam indo. “Eu senti que não estava tocando muito bem, e também senti que os outros três estavam realmente felizes e eu era um estranho, disse ele mais tarde. Durante a sessão de ‘Back In The USSR’, o baterista decidiu que já bastava e saiu, passando algumas semanas no iate de Peter Sellers no Mediterrâneo antes de retornar ao redil depois que os outros o asseguraram de seu valor. para o grupo.

Nesse meio tempo, McCartney assumiu funções de percussão e, juntamente com John Lennon e George Harrison, a banda completou ‘Back In The USSR’ em apenas dois dias (22 e 23 de agosto de 1968), adicionando efeitos sonoros de um avião de passageiros, ao que era uma parede surpreendentemente pesada de bateria latejante, guitarras trituradas, baixo de condução, piano batendo e uma escalada de rock’n’roll. Então, acenando com a inspiração inicial, como Paul colocou: “Adicionamos harmonias no estilo Beach Boys”. E com isso, um dos mais famosos álbuns duplos da história pop teve sua faixa de abertura.

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O curioso é que a canção foi taxada pelos mais conservadores americanos como uma apologia comunista. Prossegue SteVe Turner: 

“Back In The USSR” perturbou os americanos conservadores porque, em tempos de Guerra Fria e conflito no Vietnã, parecia celebrar o inimigo. Depois de admitir o uso de drogas, os rapazes de cabelo comprido estavam abraçando o comunismo?

O ativista antirrock americano David A. Noebel, autor de Communism, Hypnotism and the Beatles, mesmo não tendo conseguido encontrar as carteirinhas da banda de membros do partido, jurava que eles estavam promovendo a causa revolucionária do socialismo. “John Lennon e os Beatles eram parte integrante do meio revolucionário e receberam grandes elogios da imprensa comunista, especialmente pelo White Album, que continha ‘Back In The USSR’ e ‘Piggies’. Um trecho da ‘Back In The USSR’ deixou os anticomunistas sem palavras: ‘You don’t Know how lucky you are boy/Back in the USSR, ele escreveu.

Tivesse feito uma pesquisa mais cuidadosa, Noebel teria descoberto que o discurso oficial soviético era que os Beatles eram a prova da decadência do capitalismo. Assim como os nazistas declaram que o jazz e a pintura abstrata eram “degenerados”, os comunistas atacaram o maligno rock’ n’ roll e promoveram o folk, que enaltecia as virtudes do Estado.

Os jovens da União Soviética ficavam tão animados com a música dos Beatles quanto os jovens do lado ocidental da cortina de ferro, mas tinham de se contentar com gravações piratas, contrabandos e transmissões de rádio dos EUA e da Inglaterra.

Em 1988, com a Guerra Fria prestes a se transformar em mais um episódio da história mundial, Paul fez um tributo aos fãs soviéticos gravando um álbum de standards do rock pela gravadora oficial do governo, Melodia. Em maio de 2003 ele fez um show na Praça Vermelha e teve uma reunião particular no Kremlin com Vladimir Putin, que contou a ele que ouvia os Beatles na adolescência. “Era muito popular. Mais do que popular, era um sopro de ar fresco, uma janela para o mundo lá fora”, ele disse a Paul.

Falando sobre a música na revista Playboy em 1984, McCartney disse: “Também foram as mãos sobre a água, das quais ainda estou consciente. Porque eles gostam de nós lá fora, mesmo que os chefes do Kremlin não gostem. As crianças fazem. E isso para mim é muito importante para o futuro. ”

 

Na verdade, quando a cortina de ferro caiu, restou claro que, no Leste Europeu, a música Back in the USSR era uma das preferidas do público e item obrigatórios nas apresentações de Paul McCartney.

 Quando Paul finalmente tocou a música ao vivo na Praça Vermelha, em 2003, a pura alegria nos rostos dos fãs mostrou o quão longe as coisas haviam chegado desde que foi escrita, nos dias mais frios da Guerra Fria. A frase “garotas de Moscou me fazem cantar e gritar” recebeu a maior alegria da noite.

Paul McCartney disse à revista Mojo , em outubro de 2008, a música contém uma paródia dos Beach Boys que antecederam Pet Sounds . Ele acrescentou: “O resto é (canta as primeiras barras da linha de melodia do verso de abertura) mais Jerry Lee (Lewis). E o título é Chuck Berry, de Back in the USA , e a música em si é mais uma tentativa de Chuck. Você traria esses soldados de volta da Coréia ou do Vietnã, onde quer que seja, e Chuck estava entendendo isso. Eu pensei que era uma ideia engraçada falsificar isso com a coisa mais improvável do caminho de volta na Sibéria.

E fica bem engraçado quando no refrão se fala “Back in the US (referência a United States) , Back in the US, Back in the USSR….

 

https://www.songfacts.com/facts/the-beatles/back-in-the-ussr

‘Back In The USSR’: The Story Behind The Beatles’ Song

Turner, Steve. Beatles: A história por trás de todas as canções

Come Together – O jingle que se transformou num grande sucesso e a última música gravada pelos Beatles juntos

Timothy Leary era um psicólogo que se tornou famoso por experimentar o LSD como uma forma de promover a interação social e aumentar a consciência. Leary fez muitas experiências com voluntários e com ele mesmo e sentiu que a droga tinha muitas qualidades positivas, se tomadas corretamente.

Em determinado momento, Leary chegou a ser candidato a governador da Califórnia, concorrendo contra o futuro presidente da República, Ronald Reagan. Leary, por conta de seus experimentos com drogas, chegou inclusive a ser preso.

 

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Quando pré-candidato ao governo, em 1969, Leary pediu a John Lennon que escrevesse uma música para ele. “Come together, join the party” (algo como junte-se à nós, junte-se à festa)  era o slogan da campanha de Leary (uma referência à cultura das drogas que ele apoiava). O  slogan deu a Lennon a ideia para essa música.

Em uma entrevista de 1980 para a revista Playboy , John Lennon disse: “A coisa foi criada no estúdio. É uma expressão que Tim Leary inventou para o governo da Califórnia contra Reagan, e ele me pediu para escrever uma música de campanha. Eu tentei e tentei, mas não consegui pensar em uma, mas eu pensei em ‘Come Together’, o que não seria bom para ele – você poderia não tem uma música de campanha como essa, certo?

Este mote virou inspiração para um grande sucesso dos Beatles…

 

Segundo a revista Rolling Stone, “Come Together” ficou no #9 entre as músicas dos Beatles, e sua história foi assim contada:

Come Together” era originalmente um slogan de campanha para Timothy Leary, que estava concorrendo a governador da Califórnia contra Ronald Reagan nas eleições de 1970. O guru do LSD e a esposa dele, Rosemary, foram convidados a ir a Montreal participar do “Bed-In”, protesto de John Lennon e Yoko Ono em junho de 1969, e cantaram junto na gravação de “Give Peace a Chance” (além de ganharem uma menção na letra). Lennon perguntou a Leary se havia algo que ele podia fazer para ajudar sua candidatura. “Os Leary queriam que eu compusesse o tema de campanha”, contou Lennon, “e o slogan era ‘Come together””. Ele bolou o que chamava de “uma coisa para cantar junto”, e Leary levou a fita demo para casa e tocou em algumas estações de rádio.

Mas Lennon decidiu que queria fazer outra coisa com a letra que havia começado, em vez de terminar a música de campanha. Quando levou a nova música de campanha. Quando levou a nova música para as sessões de Abbey Road, ela era muito mais rápida que a versão final e mais obviamente baseada em “You Can’t Catch Me”, de Chuck Berry a frase de abertura, “Here come old flat-top”[“Lá vem o velho flat-top”], foi tirada diretamente da gravação de Berry  de 1956 (logo após o lançamento de Abbey Road, o Publisher de Berry processou os Beatles por violação de direitos autorais; o caso foi encerrado com um acordo em 1973, com Lennon concordando em gravar três músicas de propriedade da companhia – duas canções de Berry no álbum Rock’n Roll e “Ya Ya”, de Lee Dorsey, Em Walls and Bridges).

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LENNON ficou empolgado com a candidatura e se propôs a fazer um jingle da campanha. O slogan de LEARY – “Come Together, Join the Party”, retirado do I Ching seria uma celebração à vida, na qual todos seriam os convidados a participar. LENNON criou uma versão “bruta”da canção e repassou a LEARY que a colocou nas rádios alternativas. Percebendo o potencial da faixa, JOHN a gravou para o compacto britânico que tinha “Something” no lado B.

Em dezembro daquele ano, a candidatura de LEARY sofreu um grande choque, quando o mesmo foi preso por porte de maconha. Na cadeia ouviu a versão definitiva na rádio, do então recém lançado álbum “Abbey Road”. Segundo declarou, anos depois para a revista Rolling Stone, LEARY ficou aborrecido e mandou uma carta para JOHN, expressando seu desagrado.

De acordo com ele, LENNON respondeu: “Que ele era um alfaiate, e eu era um cliente que pediu um terno e nunca voltou.

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Rosemary Leary, Timothy Leary, Yoko Ono e John Lennon no “Bed In” em Montreal (fonte: Beatlepedia)

Paul McCtney tinha algumas sugestões para melhorar a música, como relembrou em The Beatles Anthology. “Eu disse: Vamos desacelerá-la com um clima de baixo e bateria pantanoso’. Fiz a linha de baixo, e tudo fluiu a partir daí.” Lennon disse que a parada “over me”, no fim do refrão, começou como uma paródia de Elvis. Os versos eram uma pilha de trocadilhos e piadas internas disparadas rapidamente, inventados no estúdio. A mensagem era clara quando ele exclamava no fim do segundo verso: “One thing I can tell you is you got to be free”[“Uma coisa que eu posso te dizer é que você precisa ser livre”]. Mas para Lennon, o ritmo hipnótico era a coisa mais importante. “Era uma gravação que tinha funk – é uma das minhas faixas favoritas dos Beatles. Tem algo de funk, de blues, e estou cantando muito bem.”

Depois do antagonismo de Let it Be, era quase impossível imaginar a banda voltando a esse tipo de colaboração. “Se eu tivesse que escolher uma música que mostrasse os quatro talentos díspares dos rapazes e os modos como eles os combinavam para fazer um grande som, escolheria ‘Come Together’’’, disse George Martin. “A música original era boa, e com a voz de John ainda melhor. Então Paul tem a ideia deste incrível pequeno riff. E Ringo ouve isso e faz uma coisa na bateria que se encaixa perfeitamente, e que estabelece um padrão que John aproveitou para fazer a parte em que diz ‘shoot me’ [‘atire em mim’]. E então há a guitarra de George no fim. Os quatro juntos tornaram-se muito, muito melhores que seus componentes individuais.” “Come Together” foi a fagulha final deste espírito rejuvenescido: foi a última música gravada pelos quatro Beatles juntos.

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“How do you sleep”: de John para Paul

 

É absolutamente natural que o fim de uma banda decorra de um desgaste nas relações pessoais entre seus membros.

É normal também, de igual modo, que após a dissolução do conjunto, haja ressentimento nas relações pessoais entre os ex-integrantes da banda.

Vez ou outra os ressentimentos decorrentes do fim da banda se transformam em canções. Naturalmente polêmicas.

E quando se trata da maior banda de rock de todos os tempos?

Todos sabem que o fim dos Beatles acarretaram um afastamento, para não dizer rompimento, entre John Lennon e Paul McCartney. E daí veio a polêmica.

Tudo começou quando Paul gravou o disco “RAM”, sendo que em diversas músicas haveria indiretas (após a morte de John, Paul confirmou algumas dessas “alfinetadas”), tanto a John Lennon quanto a Yoko Ono. Pode-se citar a canção “Too many people”, “The Back Seat Of My Car” e “Dear Boy”.

Na canção Too many people, lançada por Paul, há uma crítica a pessoas que tentam doutrinar as outras

 “Havia uma pequenina referência a John na coisa toda. Ele estava fazendo um monte de pregação.”

 

Na mesma entrevista ele ainda conta: “O trecho “Too many people waiting for that lucky break/ That was your first mistake/ You took your lucky break/ And broke it in two/ Now what can be done for you?/ You broke it in two” (Um bocado de gente esperando por uma boa oportunidade/ Esse foi o seu primeiro erro/ Você pegou a sua oportunidade/ E a partiu no meio/ Agora, o que pode ser feito por você?/ Você a partiu no meio) também foi pra John”.

 

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Em resposta, John, no seu disco Imagine, incluiu a música “How do you sleep?”, expressamente dirigida a Paul McCartney.

O sentimento que se percebe nessa gravação é que Lennon se sentiu atacado por McCartney, com quem tinha discutido muito no último estágio dos Beatles. Consta que N Ringo Starr visitou o estúdio durante a gravação da música e teria ficado chateado com a situação, dizendo. “Pare com isso, John !!!”

Tempo após a dupla de sucesso Lennon e McCartney se reconciliaram e foram tão bons amigos como antes …

Se analisarmos a letra percebemos a raiva e a picardia comque Lennon escreveu uma carta cheia de ironia misturada com raiva.

“So Sgt. Pepper took you by surprise”, numa referência ao revolucionário disco dos Beatles, Sgt. Pepper Lonely Hearts club Band.

Mais adiante, faz referência aos boatos de que Paul teria morrido em 1966 “Those freaks was right when they said you was dead“, complementando que o único erro de Paul está na sua cabeça (“The one mistake you made was in your head”)

Critica Paul, por andar rodeado de gente certinha que dizem ser ele (Paul) o Rei, (“You live with straights who tell you you was king”), e faz em seguida um jogo de palavras. Diz que a única coisa que ele fez foi “Yesterday”, que pode ser uma referência tanto à canção “Yesterday”, como ao passado, dizendo que tudo que ele fez foi ontem… John, em entrevistas, chegou a dizer que Yesterday tinha sido o primeiro trabalho solo de Paul.

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Em seguida, faz uma piada com outra canção de Paul, já na carreira solo, dizendo que desde que ele se foi era outro dia (“another day”), numa clara referência à canção “Another Day”.

Conclui que a música de Paul é como “música de elevador” (muzak) para seus ouvidos, e que ele deveria ter aprendido alguma coisa depois de tantos anos.

As referências foram tão expressas que Ringo recusou-se a tocar bateria nesta canção. George Harrison, no entanto, não hesitou em tocar a guitarra solo na canção.

Em várias oportunidades, John foi questionado sobre a canção. Vale a pena citar três dessas referências:

Eu ouvi as mensagens de Paul em Ram – sim, elas existem, caro leitor! Muitas pessoas vão para onde? Perdemos qual nossa sorte? Qual foi o nosso primeiro erro? Não pode estar errado? Huh! Quero dizer, Yoko, eu e outros amigos não podem estar ouvindo coisas. Então, para nos divertir, devo agradecer Allen Klein publicamente pela linha ‘apenas mais um dia’ (Just another day). Um verdadeiro poeta! Algumas pessoas não veem o lado engraçado disso. Muito ruim. O que eu devo fazer, causar riso? É o que se pode chamar de uma “carta furiosa ‘, cantado – sacou? (Crawdaddy magazine)

Noutra entrevista junto com Yoko Ono, dada a david Sheff, John fez referência à canção Like a rolling stone,de Bob Dylan, de que maneira as pessoas usam alguém como objeto para criar alguma coisa.

Eu não estava realmente sentindo algo prejudicial no momento, mas eu estava usando o meu ressentimento em relação a Paul para criar uma canção. Vamos colocar dessa maneira. Foi apenas um estado de espírito. Paul tomou-o daquele jeito porque ela obviamente, claramente se refere a ele, e as pessoas só o perseguem, perguntando-o: “Como vocês se sentem sobre isso? ‘ Mas houve algumas pequenas coisas obscuras em seus álbuns, que ele mantinha. Então eu pensei, bem, deixe de ser obscuro! Eu vou ir direto ao âmago da questão”.

 

Na entrevista abaixo, ele admite que “How do you sleep” foi uma resposta ao que Paul disse em RAM:

 

 

Numa entrevista para Andy Peebles em 6 de dezembro de 1980, quatro dias antes de sua morte. Ele recorda:

Eu usei meu ressentimento contra Paul, que eu tenho como uma espécie de rivalidade entre irmãos, ressentimento da juventude, para escrever uma canção Era uma rivalidade criativa … Não foi uma vingança cruel … mas eu senti ressentimento, então eu usei. 

 A música ficou, a rivalidade não durou tanto. John e Paul, depois dos Beatles, nunca mais foram próximos…

 

 

So Sgt. Pepper took you by surprise

You better see right through that mother’s eyes

Those freaks was right

When they said you was dead

The one mistake you made was in your head

Ah, how do you sleep?

Ah, how do you sleep at night?

 

You live with straights who tell you you was king

Jump when your momma tell you anything

The only thing you done was yesterday

And since you’re gone you’re just another day

Ah, how do you sleep?

Ah, how do you sleep at night?

 

Ah, how do you sleep?

Ah, how do you sleep at night?

 

A pretty face may last a year or two

But pretty soon they’ll see what you can do

The sound you make is muzak to my ears

You must have learned something in all those years

 

Ah, how do you sleep?

Ah, how do you sleep at night?

Fontes: http://beatlescollege.wordpress.com/2011/03/22/a-briga-musical-entre-john-lennon-e-paul-mccartney/;

http://www.songfacts.com;

http://www.beatlesbible.com/people/john-lennon/songs/how-do-you-sleep/

Sheff, David, A última entrevista do casal John e Yoko. Trad. Vania Cury, Ediouro,

https://www.dtudoumpoucoblog.com/single-post/2016/09/07/A-hist%C3%B3ria-por-tr%C3%A1s-da-can%C3%A7%C3%A3o-How-do-You-Sleep-do-John-Lennon-e-Too-Many-People-do-Paul-McCartney

domingo 14 julho 2013 08:54 , em Beatles

 

A história de Eleanor Rigby

Há algumas histórias curiosas por trás de Eleanor Rigby, gravada pelos Beatles e lançada no disco Revolver, em 1966. A música, que exorta as pessoas a olhar e prestar atenção às pessoas solitárias, conta a história de uma mulher que recolhe o arroz da igreja depois do casamento, e do Padre Mckenzie, que escreve um sermão que ninguém vai ouvir…O destino dos dois se encontra no dia em que Eleanor está morta, na igreja. Ninguém comparece ao enterro. O padre McKenzie se afasta do túmulo e limpa suas mãos.

A canção, que foi um grande sucesso, ainda hoje gera polêmicas, sobre a existência ou não de uma “Eleanor Rigby” real. Steve Turner conta um pouco disso no livro “Beatles- A história por trás de todas as canções”, quando revela que o nome original era Daisy Hawkins…

 

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Assim como aconteceu com muitas canções de Paul, a melodia e as primeiras palavras de “Eleanor Rigby” surgiram enquanto ele tocava piano. Ao se perguntar que tipo de pessoa ficaria recolhendo arroz em uma igreja depois de um casamento, ele acabou sendo levado à sua protagonista. Ela originalmente se chamaria Miss Daisy Hawkins, porque o nome encaixava no ritmo da música.

Paul começou imaginando Daisy como uma jovem, mas logo percebeu que qualquer uma que limpasse igrejas depois dos casamentos provavelmente seria mais velha. Se ela era mais velha, talvez fosse uma solteirona, e a limpeza da igreja se tornou uma metáfora para suas oportunidades de casamento perdidas. Então ele a baseou em suas lembranças das pessoas mais velhas que conheceu quando era escoteiro em Liverpool.

Paul continuou a pensar sobre a música, mas não estava confortável com o nome Miss Daisy Hawkins. Não parecia suficientemente “real”. O cantor de folk dos anos 1960 Donovan lembra que Paul tocou para ele uma versão da música em que a protagonista se chamava Ola Na Tungee. “A letra ainda não estava terminada para ele”, conta Donovan.

Ele sempre dizia que optou pelo nome Eleanor por causa de Eleanor Bron, atriz principal de Help!. O compositor Lionel Bart, porém, estava convencido de que a escolha tinha sido inspirada por uma lápide que Paul viu no Putney Vale Cemetery, em Londres. “O nome na lápide era Eleanor Bygraves”, conta Bart, “e Paul achou que se encaixaria na música. Ele voltou para o meu escritório e começou a tocá-la no clavicórdio.”

Eleanor Bron com os Beatles

O sobrenome surgiu quando Paul deparou com o nome Rigby em Bristol em janeiro de 1966, durante uma visita a Jane Asher, que estava fazendo o papel de Barbara Cahoun em The Happiest Days Of Your Life, de John Dighton. O Theatre Royal, casa do Bristol Old Vic, fica no número 35 da King Street e, enquanto Paul esperava Jane terminar o trabalho, passou por Rigby & Evens Ltd, Wine & Spirit Shippers, que ficava do outro lado da rua, no número 22. Era o sobrenome de duas sílabas que ele estava procurando para combinar com Eleanor.

A música foi concluída em Kenwood quando John, George, Ringo e o amigo de infância de John, Pete Shotton se reuniram em uma sala cheia de instrumentos. Cada um contribuiu com ideias para dar substância à história. Um sugeriu um velho revirando latas de lixo com quem Eleanor Rigby pudesse ter um romance, mas ficou decidido que complicaria a história. Um padre chamado “Father McCartney” foi criado. Ringo sugeriu que ele poderia estar cerzindo as próprias meias, e Paul gostou da ideia. George trouxe a parte sobre “as pessoas solitárias”. Paul achou que deveria mudar o nome do padre porque as pessoas pensariam se tratar de uma referência ao seu pai. Uma olhada na lista telefônica trouxe “Father McKenzie” como alternativa.

 


Depois, Paul ficou tentando pensar em um final para a história, e Shotton sugeriu que ele unisse duas pessoas solitárias no verso final, quando “Father McKenzie” conduz o funeral de Eleanor Rigby e fica ao lado de seu túmulo. A ideia foi desconsiderada por John, que achava que Shotton não tinha entendido a questão, mas Paul, sem dizer nada na época, usou a cena para terminar a música e reconheceu mais tarde a ajuda recebida.

 

Interessante que, na década de 80, foi encontrada uma lápide de uma Eleanor Rigby no cemitério de St Peter’s, Woolton, bem próximo ao local em que John e Paul tinham se conhecido no festival anual de verão, em 1957. Woolton é um subúrbio de Liverpool e Lennon conheceu McCartney em uma festa na Igreja de São Pedro. 

Eleanor Rigby

Assim, foram atrás da história da “real” Eleanor Rigby, que Nasceu em Eleanor, que nasceu em 29 de agosto de 1895, no 8 Vale Road, em Wolton.

Eleanor Rigby, que na verdade, era Eleanor Rigby Whitfield, morreu quando Eleanor ainda era criança. Sua mãe casou-se novamente, e teve duas filhas, irmãs de Eleanor: – Edith e Hannah Heatley.

Interessante que Eleanor, para os padrões da época, demorou-se a casar, o fazendo apenas em 1930, aos 35 anos de idade, com Thomas Woods, um capataz de ferrovia com 17 anos de idade.

Eleanor não teve filhos. Em 10 de outubro de 1939, um mês após o início da Segunda Guerra Mundial, sofreu uma enorme hemorragia cerebral.

 

Paul sempre deixou bem claro que Eleanor Rigby foi uma personagem fictícia, inventada, embora se especule que Paul tenha visto a lápide na adolescência, e o som do nome tenha ficado em seu inconsciente até vir à tona pelas necessidades da canção. Na época ele afirmou: “Eu estava procurando um nome que parecesse natural. Eleanor Rigby soava natural”.  

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Há, em Liverpool, uma estátua da Eeleanor Rigby fictícia, numa homenagem a todas as pessoas solitárias…

 

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Outra Curiosidade: O Father Mckenzie iria se chamar Father McCartney, mas Paul teria ficado receoso que seu pai, convertido ao catolicismo, pudesse interpretar mal a referência, ele escolheu o sobrenome numa lista telefônica. 

A tradução:

 

 

Ah, olhe para todas as pessoas solitárias!

Ah, olhe para todas as pessoas solitárias!

 

Eleanor Rigby, apanha o arroz na igreja

Onde um casamento aconteceu

Vive em um sonho

Espera na janela

Vestindo um rosto que ela guarda num jarro perto da porta

Para quem é?

 

Todas as pessoas solitárias

De onde todas elas vêm?

Todas as pessoas solitárias

A que lugar todas elas pertencem?

 

Padre McKenzie, escrevendo as palavras de um sermão

Que ninguém vai ouvir

Ninguém chega perto

Olhe para ele trabalhando, remendando sua meias à noite

Quando não há ninguém lá

O que é importante para ele

 

Todas as pessoas solitárias

De onde todas elas vêm?

Todas as pessoas solitárias

A que lugar todas elas pertencem?

 

Ah, olhe para todas as pessoas solitárias!

Ah, olhe para todas as pessoas solitárias!

 

Eleanor Rigby morreu na igreja

E foi enterrada junto com seu nome

Ninguém veio

Padre McKenzie limpando a sujeira de suas mãos

Enquanto caminha do sepulcro

Ninguém foi salvo

 

Todas as pessoas solitárias

De onde todas elas vêm?

Todas as pessoas solitárias (Ah, olhe para todas as pessoas solitárias!)

A que lugar todas elas pertencem?

 

 

 

 

 

Fontes:

http://www.dailymail.co.uk/femail/article-1088454/REVEALED-The-haunting-life-story-pops-famous-songs–Eleanor-Rigby.html

Steve Turner: Be