Baby Consuelo e Pepeu Gomes – Barrados na Disneylandia

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Pepeu Gomes e Baby Consuelo formaram certamente o casal mais divertido da música brasileira. Da realidade Hippie dos Novos Baianos da década de 70, eles viraram um símbolo do rock, com seu estilo punk, com seus filhos com nomes alternativos (Riroca – que depois mudou para Sarah Sheeva – Zabelê, Nana Shara, Kriptus Rá Baby, Krishna Baby e Pedro Baby), seus cabelos coloridos e visual extravagante típico da década de 80.

O visual que eles usavam era tão espalhafatoso que eles chegaram a ser barrados na Disney. Baby contou recentemente o fato, numa entrevista a Fernanda Young:

 

 “Eu estava grávida de sete meses do meu quinto filho e fui com o Pepeu toda colorida, do cabelo até os pés, para a Disney. Era quatro de julho e depois que compramos o ticket, quando estávamos para entrar, vi um carrinho tipo uma prisão, era tão bonitinho que eu pensei ser um carrinho qualquer do parque. O cara começou a falar inglês comigo e eu não entendia nada. Uma pessoa traduziu para mim e disse que estávamos sendo barrados por chamar mais atenção do que os brinquedos do lugar. Adorei! Me acabei de rir!”.

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Em uma entrevista dada ao jornal Folha de São Paulo, há alguns anos, Pepeu comentou sobre o episódio: “Fui barrado na Disney por ter o cabelo com sete cores, e foi uma discriminação. Naquela época já daria processo, a gente é que amarelou. Mas era meu sonho de criança, fiquei chorando na porta. Foi uma coisa séria aquilo.”

domingo 03 outubro 2010 03:04 , em Anos 80

Tim Maia falta ao especial “Chico & Caetano” em 1986

Nelson Motta escreveu um interessante livro sobre a vida de Tim Maia (“Vale Tudo”, Objetiva, 2007), contando as histórias dos encontro e desencontros do rei do soul, e acaba dizendo alguma coisa sobre as históricas faltas de TIM mais aos shows.

 

 

TIM geralmente faltava a shows porque estava derrubado pelo que chamava de triátlon – uma maratona de uísque, cocaína e maconha. Muitas vezes, mesmo em condição precária, ele estava até com vontade de cantarele estava até com vontade de cantar, mas não havia voz nem para dar boa noite. Outras vezes, raras segundo ele, faltava simplesmente para sacanear o contratante, com especial predileção por Chico Recarey, do Scala. Temporada era um perigo: TIM ficava tão feliz com a estreia que promovia um triátlon comemorativo com os amigos no camarim até amanhecer. E no dia seguinte não tinha voz nem show.

 

Uma das faltas memoráveis de Tim Maia aconteceu durante o Programa “Chico e Caetano”, que a globo exibia uma vez por mês, de abril a dezembro de 1986. Há alguns momentos memoráveis no programa, como apresentações de Astor Piazzola com Tom Jobim, ou uma participação da banda Legião Urbana, com Renato Russo visivelmente intimidado com a presença de seus ídolos Chico e Caetano no palco. Além dos artistas citados, passaram pelo programa Cazuza, Elizeth Cardoso, Elza Soares, Evandro Mesquita, Gilberto Gil, João Bosco, Jorge Ben Jor, Luiz Caldas, Maria Bethânia, Os Paralamas do Sucesso, Paulinho da Viola, Rita Lee, Mercedes Sosa, Pablo Milanés e Silvio Rodriguez.

 

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Em 15 de agosto de 1986, Tim Maia chegou a ensaiar na véspera, não compareceu à gravação, o que levou a equipe de produção a alterar a estrutura do programa, exibindo trechos do ensaio. Caetano, ao comentar a ausência, chegou a dizer que em Tim Maia, “o que seriam falhas se tornam enfeites”.

 

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Na gravação do ensaio, dá para se ver Tim pedindo eco, graves e agudos, fazendo exigências, tocando e se divertindo, mas até hoje ninguém sabe a razão pela qual Tim não apareceu na gravação. Virou história.

 

Fontes: http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglobo; Vale Tudo. Nelson Motta, Objetiva, 2007;

Musicaemprosa em abril de 2010

Roberto Carlos, João Gilberto e a “turma” da Bossa Nova

Affonso Romano de Sant’anna dá uma definição de Roberto Carlos difícil de ser igualada: “Ele é o lado kitsch dos ouvintes mais sofisticados e é o lado mais sofisticado dos ouvintes mais kitsch. É uma espécie de herói popular”. 

 Em síntese, Roberto Carlos seria a voz mais sofisticada acessível aos ouvidos ditos “populares”, e seria, simultaneamente, o lado mais popular acessível aos ouvidos ditos “sofisticados”.

 Interessante que poucas pessoas sabem que a fonte inicial de inspiração de Roberto Carlos foi a mesma que inspirou Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Edu Lobo e Jorge Ben (hoje Benjor): João Gilberto e a sua incomparável batida de violão que fez surgir a bossa nova, com a gravação de Chega de Saudade.

 Roberto Carlos tinha ido de Cachoeiro do Itapemirim ao Rio de Janeiro, e em 1959 não alcançara sucesso, tendo conseguido ser contratado como cantor da boate Plaza, no Rio de Janeiro (momento em que Roberto Carlos considera o início de sua carreira, vide as comemorações de seus 50 anos de carreira, ocorridos em 2009).

 Naquela época, Roberto Carlos, embora reconhecesse não ter o mesmo talento com o violão do que João Gilberto, cantava baixinho como ele. Talvez, no início da bossa nova na década de 60, era quem cantava mais parecido com João, muito mais do que Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Roberto Menescal e outras pessoas da turma da “Bossa Nova”. Essa “turma”, na verdade, desprezava Roberto Carlos, sob o argumento de que ele seria uma imitação barata de João Gilberto.

 Ruy Castro narra como Roberto Carlos fora barrado pelos corifeus da Bossa Nova, no seu livro Chega de saudade (Cia das Letras, 1990),

 “Roberto Carlos, dezoito anos, bateu à porta da boate Plaza naquele mesmo ano de 1958 e descobriu um cantor que dava canjas com frequência: João Gilberto.Roberto levou um choque. Aquela voz e aquele violão, no canto mais escuro do fundo da boate, acompanhado por uma simples bateria, o deixaram febril e evaporaram Elvis de sua cabeça por um bom tempo. Quando aprendeu a fazer uma passável imitação de João Gilberto, compôs ‘Brotinho sem Juízo’ e candidatou-se a participar das canjas. Mas, justamente por parecer uma cópia meio aguada do original, não o chegavam sequer chegar perto do microfone. Nascanjas das quintas-feiras, no clube Leblon, a mesma coisa. Bem que tentava se enturmar, mas ninguém queria saber dele ou de ‘Brotinho sem Juízo’. Em certo momento, Roberto Carlos ficou mesmo insistente, e o mínimo de que o chamavam era de chato. Numa dessas, na casa do empresário Lauro Boamorte, no Flamengo, Menescal levou-o a um canto: ‘Olha, bicho, não dá pra você, você quer cantar igualzinho ao João Gilberto – e nós já temos o João Gilberto'”.

 Segundo narra Paulo Cesar de Araújo, no seu livro – que se tornou polêmico – “Roberto Carlos em detalhes (Planeta, 2006), a turma da Bossa Nova encarava Roberto como um “João Gilberto dos pobres”.

 No entanto, foi sob a inspiração melódica de João Gilberto que Roberto Carlos gravou seu primeiro compacto, com as músicas João e Maria e Fora do tom (uma glosa de Desafinado, clássico da bossa nova). O compacto recebeu duras críticas da imprensa, como a abaixo transcrita, narrada no livro de Araújo:

 Agora é que a coisa vai piorar. Vão aparecer mil e um cantores tipo João Gilberto e ninguém vai aguentar mais. João sozinho é bom demais. A sátira de Carlos Imperial é interessante. Porém, falta alguma coisa ao jovem cantor”.

 Mais adiante, quando gravou seu primeiro disco, “louco por você” (que vendeu apenas 512 cópias), ainda havia muita inspiração da bossa nova e o estilo de cantar era ainda muito inspirado em João Gilberto.

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 É óbvio que, depois de ser totalmente rejeitado pelos “defensores” da bossa nova (registre-se, algo que não tem nada a ver com João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Morais), além de não conseguir sucesso como cantor, Roberto Carlos teria que mudar de estilo, por mais que estivesse apaixonado pela música de João Gilberto.

 Talvez por essa razão o disco “Louco por você” está excluído da discografia oficial de Roberto Carlos, e, segundo Antonio Farinaci, Editor de UOL Música (http://musica.uol.com.br/especiais/2004/12/13/ult1541u70.jhtm), esse disco é dos mais raros, tido como renegado pelo próprio Roberto, chegando a atingir o preço de R$ 4.000, mas apenas em lojas especializada e sebos de vinis.

Em 2015, o Spotify disponibilizou a discografia de Roberto Carlos, na qual passou a constar o disco “proibido” “Louco Por Você”. Antes disto, jamais havia sido relançado.

 O resgate de Roberto Carlos com a bossa nova só veio com a gravação, em 2008, do disco/DVD com Caetano Veloso, em que ambos, comemorando o sucesso da bossa nova, cantaram músicas de Tom Jobim. E como Roberto canta bem Tom Jobim. E, também, recentemente, no site oficial do cantor, os discos “renegados” voltaram á discografia oficial. Um resgate da história

A música que posto agora é “Brotinho sem juízo”, do segundo compacto de Roberto Carlos. É nítida a influência da bossa nova…

 Fontes: Paulo Cesar de Araújo: Roberto Carlos em detalhes (Planeta, 2006); Ruy Castro: Chega de saudade (Cia das Letras, 1990); http://robertocarlos.globo.com;http://musica.uol.com.br/especiais/2004/12/13/ult1541u70.jhtm;

Publicado originalmente no http://musicaemprosa.musicblog.com.br/249238/Roberto-Carlos-Joao-Gilberto-e-a-turma-da-Bossa-Nova/ em abril de 2010