Paulo Sérgio, o cantor que está por trás de “O inimitável”, grande disco de Roberto Carlos, em 1968

Quando Roberto Carlos surgiu no cenário musical, ele inspirou-se explicitamente em João Gilberto, como já tive oportunidade de tratar aqui. Mas ele não encontrou muito respaldo da “turma” da Bossa Nova (Bôscoli, Menescal & Cia), por ser considerado uma espécie de “João Gilberto dos Pobres”, ou seja, uma imitação de João.

Mas logo que Roberto Carlos despontou como líder da Jovem Guarda, a história se inverteu. Na segunda metade década de 60, ele era a síntese do sucesso da música jovem e popular. Nada mais natural do que surgirem história sobre imitadores de Roberto Carlos.

Um dos mais famosos ditos “imitadores” de Roberto Carlos foi Paulo Sérgio. Capixaba da cidade de Alegre, próximo a Cachoeiro do Itapemirim (cidade natal de Roberto), sua carreira começou  quando um amigo dele convidado para realizar testes na gravadora Caravelle, do empresário Renato Gaetani. Paulo Sérgio era alfaiate, mas tocava violão. Na oportunidade, ele acompanharia o amigo ao violão. Ocorre que, durante o teste, descobriram que Paulo Sérgio também cantava e, após tocar algumas canções, ficaram impressionados. O timbre de voz era muito parecidos com Roberto Carlos.

Foi lançado Logo, lançaram o primeiro disco de Paulo Sérgio, um compacto simples, que continha as músicas “Benzinho” e “Lagartinha”. O sucesso de Paulo Sérgio aconteceu em todo Brasil.

Em 1968, Paulo Sérgio estourou nacionalmente com a música “Última canção”‘, que vendeu mais de 300 mil cópias. Segundo Paulo Cesar de Araújo, no seu livro “Eu não sou cachorro não” Paulo Sérgio surgia com o mesmo sorriso tímido, os mesmos olhos tristes, o mesmo estilo musical e o mesmo timbre vocal de Roberto Carlos ― o que levava a imprensa da época a afirmar que ‘ouvir a voz de um ou de outro, praticamente não faz diferença. Paulo Sérgio é uma espécie de outro Roberto Carlos’ (ARAÚJO, 2015 p. 27)

 

No video abaixo, a semelhança é evidente:

 

Um prato cheio para a imprensa, que passou a explorar uma suposta inimizade entre os dois, como se vê:

 

A CBS, que, como uma espécie de resposta a Paulo Sérgio, lançou no final de 1968 o LP O Inimitável, uma espécie de resposta para reafirmar o caráter único de Roberto.

Resultado de imagem para o inimitável quem

Paulo César de Araújo ainda disse que Paulo Sérgio teria operado a garganta  para que se livrasse da pecha.

“Eu operei a garganta para ver se minha voz ficava diferente da voz de Roberto Carlos e não adiantou. Estou desesperado, já não aguento mais ouvir todo mundo dizendo que eu imito o Brasa” (ARAÚJO, 2015 p. 30).

 

Consta que, em Em 1973, Paulo Sérgio e Roberto Carlos se encontraram num show beneficente no Hospital das Clínicas em São Paulo, quando ambos fizeram  questão de esclarecer que a inimizade entre os dois eram apenas boatos.

O fato é que a pecha de imitador incomodou Paulo Sérgio por anos, tanto que, em1980, pouco antes de morrer, Paulo Sérgio falou sobre a polêmica:

Muita gente se preocupa em saber se eu imito ou não o grande ídolo Roberto Carlos, de quem sou fã.  Não me preocupo em  imitar Roberto Carlos, porque cada um de nós deve realmente adquirir sua própria personalidade e só o tempo pode dizer. Deus me deu esta voz e colocou diante do público através do disco, nesta hora.  Todos criam uma dúvida sobre minha carreira artística e assim a coisa vai passando. Tomara Deus que eu um dia possa provar a todos e convencer que meu ideal é enviar uma mensagem de paz de muito otimismo e amor. Minhas músicas são assim, um pouco carinhosas, todos podem notar. Se o Roberto Carlos teve o direito de subir e ser o fenômeno que realmente o é, que diferença tem entre ele como ser humano e eu que também sou filho de Deus?  Sei perfeitamente que o próprio Roberto Carlos não está nem se preocupando com os falatórios. Quem iria falar de um cachorro morto numa estrada? Ninguém….”

 

O fato é que Paulo Sérgio Morreu em 1980, precocemente, e sua pecha de suposto “imitador” de Roberto o acompanhou durante toda sua vida..

 

Fontes:

https://musica.uol.com.br/listas/as-maiores-rivalidades-da-jovem-guarda.htm?mobile&cmpid=copiaecola

https://musicaemprosa.wordpress.com/2016/09/22/roberto-carlos-joao-gilberto-e-a-turma-da-bossa-nova/

http://leandrojosemuniz.blogspot.com.br/2016/10/paulo-sergio-e-roberto-carlos.html

http://memoriadampb1.blogspot.com.br/2012/11/paulo-sergio.html

http://nossajovemguarda.blogspot.com.br/2012/08/paulo-sergio.html

Paulo Cesar Araújo. Eu não sou cachorro não: música popular cafona e ditadura militar. Record, 2002

Anúncios

Beatles e Beach Boys… Uma rivalidade pouco comentada.

Quando se pensa em rivalidades entre bandas de rock nos anos 60, é comum falar nas rivalidades entre os Beatles e os Roling Stones. No entanto, Paul McCartney disse que os maiores rivais dos Beatles não eram os Rolling Stones e sim os Beach Boys.

Alguém pode argumentar que os Beach Boys não alcançaram a notoriedade dos Beatles, mas é fato incontroverso que o grupo californiano foi inspirado e inspirou os Beatles.

Num interessante livro “Como John Lennon Pode mudar sua vida”, há um pequeno resumo dessa rivalidade, muito mais no campo artístico do que nas vaidades da fama:

Havia uma rivalidade transatlântica entre os dois grupos, que passaram dois anos em busca da superação, à procura do pop perfeito,inspirados pela obra do rival. Com Rubber Soul, lançado no final de 1965, os Beatles deixam de lado a inocência dos primeiros lançamentos, a exemplo do quinteto californiano, que ganhara as paradas de sucesso fazendo um rockabilly irresistível, conhecido como surf music (mesmo se apenas um de seus integrantes fosse surfista”.   

 

Resultado de imagem para como john lennon pode mudar sua vida

 

Gabriel Menezes, no seu blog (www.blogcena.com) refere:

No início dos anos 60, os Beach Boys estouraram nos EUA com suas músicas falando sobre a Califórnia e acima de tudo sobre surfe. Mal tinham se acostumado com o sucesso quando sofreram um enorme revés, a invasão britânica. De uma hora para outra os americanos só queriam ouvir bandas do Reino Unido, deixando assim os grupos nacionais em segundo plano. Os grandes responsáveis por isso sem dúvida nenhuma foram os Beatles. Brian Wilson, líder dos Beach Boys, afirma que eles  “morriam de inveja do sucesso dos Beatles”. 

 

Voltando ao livro Como John Lennon Pode mudar sua vida:

Quando Rubber Soul chegou ao mercado, Brian Wilson, líder dos Beach Boys, apaixonou-se de imediato pelo disco e suas sofisticações. Harmonias vocais elaboradíssimas, arranjos celestiais de piano e cordas em algumas canções e um sedutor frescor pop que persiste até hoje. Ao ouvir aquilo, Wilson almejou criar um disco que superasse Rubber soul, uma tarefa árdua até hoje.     

Imagem relacionada

 

Dessa forma, os Beach Boys lançaram “Pet Sounds”, uma obra prima que se encontra em qualquer lista dos melhores álbuns da história do Rock. O próprio Paul McCartney, à época, chegou a dizer que era o melhor disco da história (o que seria uma jogada para instigar seus colegas de banda a superá-los mais uma vez), e afirmando que a mais bela canção de amor seria “God only knows”,de Brian Wilson.

Resultado de imagem para pet sounds

“Pet sounds” chegou às lojas em 1966, na mesma época em que os Beatles lançaram “Revolver”.

Em 1967, todavia, os Beatles fizeram um álbum então insuperável, que foi “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (eu, pessoalmente, acho que esse disco não envelheceu tão bem quanto outras obras-primas dos Beatles, como o White Album e, sobretudo, Abbey Road). O disco que mudou a história do rock e da música pop novamente instigou Brian Wilson, que planejava contra-atacar com o álbum “Smile”.

 

Resultado de imagem para sgt peppers capa

 

Todavia, Wilson estava esgotado  e abatido, sobretudo pelo consumo de drogas (não foram poucos que disseram que o álbum não teria sido lançado porque “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” seria um disco insuperável).  Somente no ano de 2004 “Smile”saiu.  Muita gente se pergunta, todavia, até onde iria essa disputa, caso “Smile” fosse mesmo lançada em 1967.

Resultado de imagem para smile beach boys

Mais uma história interessante sobre rivalidades… essa, apenas no campo criativo.

 

 

Fontes: http://www.blogcena.com/2009/10/rivalidade-entre-os-beatles-e-os-beach.html

Como John Lennon Pode Mudar A Sua Vida, : Alexandre PetilloPablo KossaEduardo Palandi, Geração Editorial.

segunda 09 agosto 2010 04:58 , em “Rivalidades” Musicais

Belchior x Raul Seixas…

 

Reza uma lenda que Raul Seixas teria composto sua famosa canção “eu também vou reclamar” numa clara crítica à postura de determinados artistas, entre os quais se encontraria Belchior.

Mas é que se agora/Pra fazer sucesso/Pra vender disco/De protesto/Todo mundo tem/Que reclamar…”

Belchior, em resposta, teria escrito a belíssima “A palo seco” como uma suposta réplica a Raul, em que vociferava:

Se você vier me perguntar por onde andei/No tempo em que você sonhava/De olhos abertos lhe direi/Amigo eu me desesperava/Sei que assim falando pensas/Que esse desespero é moda em 73/Mas ando mesmo descontente/Desesperadamente eu grito em português”  

É uma história divertida, mas que não se sustenta em fatos, vez que A Palo seco foi gravada por Belchior em 1974 (no disco Mote e Glosa), e Eu também vou reclamar foi gravada apenas em 1976…

Resultado de imagem para belchior raul seixas

Na verdade, me parece mais o contrário. Raul Seixas, quando compôs “Eu também vou reclamar” ele criticava um certo modismo da música brasileira de fazer protestos, como apenas uma forma de vende discos. Na canção, há referências implícitas a Belchior:

 Raul diz: Não há galinha em meu quintal” “E nem sou apenas o cantor”, “sou um rapaz latino-americano”a duas canções de Belchior, além de criticar a voz do cearense, chamando-a de “chata e renitente”, Raul ironicamente sentencia:

Eu já cansei de ver o sol se pôr / Agora sou apenas um Latino-Americano Que não tem cheiro nem sabor / (…) / Mas agora eu também resolvi dar uma queixadinha / Porque eu sou um rapaz Latino-Americano / Que também sabe se lamentar”.

Raul se refere, na verdade, às canções de Belchior:  “Apenas um rapaz latino-americano” e “Galos, noites e quintais”. 

Resultado de imagem para raul seixas eu também reclamar

Mas a crítica não é somente a Belchior. Ele também considera chato Silvio Brito e sua música “Pare o mundo que eu quero descer”, bem como a “Nuvem Passageira”, de Hermes Aquino.

Percebe-se, portanto, que quem responde é Raul, pois se percebe que Belchior, em “Alucinação”, diz que não está interessado em  nenhuma teoria, nem tampouco em “romances astrais” , como refere Raul Seixas em “Trem das sete”. 

Portanto, assim como Noel Rosa e Wilson Batista, Belchior e Raul trocaram também suas farpas… quem tem razão? O “rapaz latino americano” ou quem fala do mal e o bem num “romance astral?”

Resultado de imagem para raul seixas 1976

O fato é que, em 1984, a polêmica parecia superada, pois Belchior gravou “Ouro de Tolo”, de Raul…

Fontes: http://www.incomunidade.com/v22/art.php?art=19

https://universoderaulseixas.wordpress.com/2014/09/27/eu-tambem-vou-reclamar/

terça 16 setembro 2014 12:33 , em “Rivalidades” Musicais