Lendas Musicais. Como “We are the champions” salvou marinheiros do naufrágio e de tubarões

Em épocas de Rock in Rio, impossível não lembrar da participação de maior sucesso na primeira edição do evento, que foi a banda britânica Queen, uma das maiores bandas de rock nos anos de 70/80, até a morte de seu vocalista, Freddie Mercury, em 1991, e cujo sucesso repercute até hoje. Uma das suas músicas mais tocadas e até hoje repetidas é “We are the champions“, que pode ser resumida a uma exortação ao triunfo na vida após ter passado por adversidades (mas isso é assunto de uma postagem à parte).

Resultado de imagem para we are the champions

O certo é que a música foi composta por Freddie Mercury pensando em futebol quando. Ele declarou querer uma música de participação, algo que os fãs pudessem ouvir, mas com uma sutileza teatral maior do que um canto de futebol comum. Freddie chegou a dizer que esta seria sua versão de My Way  , sucesso de Frank Sinatara. “Nós conseguimos, disse Freddie, e certamente não foi fácil. Não há uma cama de rosas  como a música diz. E ainda não é fácil. “

Curioso é que no site http://www.queenbrazil.com/, há uma inusitada história em que a música “We are the champions” salvaram a vida de dois marinheiros, seja do naufrágio, seja dos tubarões. Eis a história:

Esta história foi narrada por Miguel Judas, na revista FHI .

Conta que em meados de 92, na costa africana Paulo e um amigo, não identificado, trabalhavam no serviço de fragatas da marinha portuguesa e estavam indo em direção á uma ilha localizada na linha do Equador.

De repente, ouvem a famosa frase: Homem ao mar, mas era simulação de treino, então Paulo e o amigo vão ao treinamento salvar o tal boneco, (porém um dos homens deveria ficar no barco), mas um solavanco inesperado, muito comum nessas águas acaba por atirar ambos contra o navio e caírem ao mar. Ficam então muito tempo na água, apenas com o salva vidas, esperando algum tipo de socorro. O barco assim, sem tripulantes… vai literalmente embora e acaba desaparecendo no horizonte… Isso já era mais que motivo suficiente pra deixá-los desesperados.

Tempos depois percebem a visita de “amiguinhos marinhos- tubarões”. Como eram treinados, ficam quietos, mas é impossível não produzir som no mar e ficar calma muito tempo quando se tem tubarões te cerceando.

De repente, Paulo relatando a historia, não sabe o porquê, mas entra num estado de euforia, ou simplesmente, surta em pleno mar (o que é explicado em psicologia), acaba gritando em alto e forte tom “We Are The Champions”… o amigo começa a rir e canta também… Bem, até hoje ele num sabe explicar o porque da música, mas foi a que veio na cabeça. Fato é, que os tubarões, por um milagre, por sorte, ou porque ele cantava muito mal, se afastaram. Neste ínterim, um outro barco que passava por perto, ouviu o “concerto” dos amigos e veio em sua direção, salvando-os.


Bem, esta história, fãs, acreditem , é verdadeira, e o relato completo esta na revista acima citada.

Não se sabe o que há de exagero ou verdade nesse relato. Mais uma das histórias que acabarão por virar lenda….

 

30 anos da morte de Raul. A crônica de Marcelo Moreira

No dia 21 de agosto de 1989 completam-se  30 anos da morte de Raul Seixas. Um artista que se notabilizou por carregar o estandarte do rock nos anos 70 e 80, sendo o pioneiro de um gênero em que tinha poucos concorrentes de peso na década de 70. Raul não era grande músico, mas era um grande letrista, e embora fosse roqueiro, brincava com outros ritmos.

Suas letras, seus bordões, sua postura iconoclasta se tornaram um símbolo.

É certo que, por vezes, após a sua morte, suas palavras foram messianizadas por determinadas pessoas que passaram a repetir os refrões de suas letras como se fossem mantras religiosos.

Resultado de imagem para raul seixas

Mas não se pode, pela postura de alguns fãs, descaracterizar a obra do artista.

Falo disso porque, há 5 anos, perto da ocasião dos 25 anos da morte de Raul,  li um artigo de Marcelo Moreira, no blog Combate Rock,que me pareceu ter uma certa má vontade com Raul Seixas, e uma visão relativamente simplista da música brasileira nos anos 70 (por exemplo, considera a MPB engessada e o Tropicalismo como uma “farsa de pseudointelectualismo barato”)

No artigo, em síntese, ele resume o sucesso de Raul Seixas quase que exclusivamente à falta de concorrentes. Analisa a obra de Raul como razoável do ponto de vista musical (o que é verdade), mas ignora sua qualidade como letrista, sua habilidade em misturar rock com ritmos regionais.

Resultado de imagem para raul seixas

Reconhece o legado, reconhece o seu caráter transgressor, mas procura, na verdade, atingir, por intermédio de Raul, um certo público universitário que se apropria de alguns refrões adaptáveis de sua música, e que grita “Toca Raul” em apresentações de outros conjuntos musicais.

É uma análise fria, em certos momentos verdadeira; em outros, revela uma má vontade com uma obra que claramente o blogueiro não gosta. Foi massacrado nos comentários pelos fãs de Raul (não poderia ser diferente), mas acho que não merece tanto. Não foi o objetivo aprofundar-se em sutilezas na obra do artista.

Assim, a obra do artista foi examinada a partir do seu legado, e não o contrário.

Mas vale o debate.

http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2014/08/05/25-anos-da-morte-de-raul-seixas-um-artista-reduzido-a-um-bordao/

25 anos da morte de Raul Seixas: um artista reduzido a um bordão

A essência do rock nacional pode ser resumida apenas a um bordão. Ou melhor, o artista que simboliza o rock brasileiro ficou reduzido a um bordão. Por uma dessas injustiças históricas que às vezes abalroam um mito, o famigerado e inacreditável “Toca Rauuuuullll” que se ouve em bares e em shows, em tom de chacota, a cada dia se torna mais forte, a ponto de, em alguns momentos, suplantar a importância de Raul Seixas, que morreu há 25 anos em São Paulo. Não há como negar: a chatice do bordão, tornando-o insuportável e pejorativo, colou no artista de uma forma desagradável. Raul Seixas não merecia isso.

A coisa é tão complicada que, dependendo da situação, o pedido de “Toca Raul” provoca brigas e confusões, como narrei anos atrás o que ocorreu em um bar na região de Campinas, quando um bêbado encheu tanto a paciência da banda que estava no palco que provocou uma briga generalizada.

O mito superou a realidade? O bordão faz justiça à carreira do cantor baiano? Na verdade, isso tudo faz alguma diferença? Amado a ponto de ser considerado messias por uns, e contestado por outros, considerado um artista superestimado e superdimensionado por outros, Raul Seixas conseguiu o que só roqueiros ingleses e americanos obtiveram: tornou-se um símbolo de um gênero musical no Brasil.

Resultado de imagem para raul seixas

Não é possível falar de rock por aqui sem lembrar de Raul, tamanha a a sua onipresença – para o bem e para o mal. Diante da fragilidade do gênero musical no Brasil, em especial nos anos 60 e 70, e da falta de verdadeiros concorrentes à altura, ficou fácil para o cantor baiano tomar conta de tudo – só Rita Lee era capaz de rivalizar com ele.

Mutantes e Secos & Molhados? Não tiveram metade do carisma e da presença artística do cantor baiano. Falta de competência da concorrência? Pode ser, mas isso não era problema de Raul, que teve os seus méritos para aglutinar a cativar a aura mítica de messias e de gênio, ainda que não o fosse. Em terra arrasada, qualquer vestígio de competência é um grande impulso para o estrelato eterno.

Culpa de Raul? Sim, por ter demonstrado competência e e inteligência em um mercado que quase nunca soube entender o que era rock, o seu poder e o seu significado. Mesmo a aproximação frequente com artistas da MPB não foi suficiente para nublar a postura e a imagem que ele assumiu para si: a do roqueiro esperto, malandro, inteligente, astuto e ousado, com pitadas de maluquice beleza.

Resultado de imagem para raul seixas

Sua relevância pode ser medida pela escolha de Bruce Springsteen quando tocou no Brasil no ano passado: o cantor e guitarrista norte-americano, em cada país onde tocou em sua turnê mundial, abria os shows com uma música importante de um artista importante do país local. Nos shows de São Paulo e no Rock in Rio 2013, abriu suas apresentações com “Sociedade Alternativa”, um hit de Raul Seixas.

Ninguém melhor do que ele fez isso no Brasil, e nada mais justo do que Raulzito se tornar sinônimo de rock nacional no Brasil – para o bem e para o mal, seja pelo pioneirismo , seja pela esperteza ou mesmo inteligência mercadológica. Esses méritos são indiscutíveis, mesmo que tenha dado origem a um messianismo insuportável e a uma deificação injustificável.

Legado incontestável, obra nem tanto

Músico razoável e cantor nem tanto, Raul Seixas teve o grande mérito de cair de cabeça no rock and roll primeiro do que todo mundo neste país tropical e de avançar até onde nenhum artista brasileiro na época ousou.

Seixas era radical e culto, tinha estofo para se mostrar contestador sem ser revolucionário. Tinha jeito e coragem (ou inconsequência) para ser provocador como Chico Buarque foi em algumas de suas letras.

Se os Secos & Molhados chocavam e posavam de transgressores por conta das maquiagens e posturas de palco, Seixas e seu jeitão de hippie deslocado mostrava que ia muito mais além na transgressão com o mergulho fundo no rock e nos aditivos ilícitos – em vários momentos ao lado do amigo doidão e letrista ocasional Paulo Coelho.

O problema é que Raul Seixas foi o único a fazer isso, a fazer rock realmente em uma era dominada por uma música popular supostamente de protesto mas que pouco ou nada serviu de alento, ao menos culturalmente.

Era a mesma MPB engessada de sempre, calcada na canção e no samba, com ecos da bossa nova encardida e plagiada do jazz norte-americano e na farsa do Tropicalismo, envolto em pseudo-intelectualismo barato.

Raul foi muito mais além do que qualquer um em sua época, e tem méritos por isso. Se é que existiu alguma forma de transgressão nos anos 70, época de chumbo do regime militar, essa transgressão era Raul Seixas.

E o músico baiano teve a sorte grande de ter sido o único a fazer isso de forma tão intensa, e usou o rock, o melhor instrumento para esse tipo de transgressão (ou suposta transgressão). E grande parte de sua fama decorre justamente disso, da falta de concorrentes à altura.

Por conta disso, o mito Raul Seixas – artista radical, maldito, marginal – se sobrepõe à real qualidade de sua obra musical, que nunca passou de mediada. Sua melhor música é no máximo razoável. Ok, nunca foi a ambição dele, em termos musicais, de ser inovador, ambicioso ou ousado em demasia. Inovação não era com ele, e isso fica claro em sua obra.

O trabalho do cantor baiano, que  foi executivo de gravadora no começo dos aos 70, é milhões de vezes superior ao de qualquer artista que achava que fazia rock na época, como Secos & Molhados e os Mutantes, mas ainda assim não passava de razoável.

Resultado de imagem para raul seixas

Suas músicas se tornaram trilha sonora da contracultura e de certa pseudointelectualidade de esquerda por ser palatável e adaptável aos lugares comuns dos discursinhos chatos e vazios de estudantes equivocados.

Também era a trilha sonora perfeita para ambientes pseudopolíticos infectos, como centros acadêmicos de faculdades – a maioria de quinta de categoria – e botecos de pinga nas proximidades das mesmas faculdades. E, com certeza, 85% dessa gente que se apropriou da obra de Raulzito ignorava por completo o significado das letras – e, dependendo da música, acho que até o próprio autor desconhecia.

Ainda que a importância da obra de Raul Seixas seja incontestável, assim como sua figura como símbolo máximo/sinônimo do rock brasileiro, em termos musicais não para constatar: é artista superestimado e cujo mito é muito maior do que a qualidade de sua obra. E o mito ainda tem mais força do que se imagina, pois ainda é capaz de impregnar duas gerações após a sua morte com “sua mensagem”.

Não creio que era esse o destino que o músico baiano imaginava para o seu legado: quase ser suplantado por um bordão e virar trilha sonora de gente equivocada e com pouca bagagem intelectual de um lado; de outro, de se tornar sinônimo de chatice e inconveniência com o bordão “Toca Raul!”.

Ele merecia isso? Eu achava que sim, por conta da chatice de muitas de suas músicas. Mudei de ideia: reavaliando, ele não merecia passar por isso, justamente porque, goste-se ou não (e eu não gosto que seja assim, a a vida é assim), ele se tornou sinônimo de rock brasileiro. Jamais poderia ter sido reduzido a um bordão. Quem sabe não seja por isso, entre tantas outras coisas, que o rock nacional tenha mergulhado em tamanho ostracismo?

Incidente em Miami em 1969 – The Doors

Há muitos rumores sobre a morte de Jim Morrison, da icônica banda The Doors, ocorrida em Paris, em 3 de julho de 1971. Mas há quem atribua o começo da morte de Jim Morrison a um episódio ocorrido dois anos antes, em 1º de março de 1969, que ficou conhecido como o “incidente em Miami”

Naquela noite, a banda iria se apresentar no Miami Dinner Key Auditorium, cuja capacidade estimada (e legalmente permitida) era de 7.000. Estima-se que entre 12 e 15000 pessoas estavam lá . Não havia ar condicionado e o publico estava louco. Estava bastante calor lá dentro e as cadeiras tinham sido removidas para o promotor aumentar a quantidade de espetadores.

 

Resultado de imagem para miami incident the doors

Ray Manzarek, tecladista da banda, disse numa entrevista em 1998 na Fresh air:

Estávamos em Miami. Muito quente, todo mundo suado. O local era um pântano, um buraco – um tipo horrível de lugar, um hangar de hidroavião – e 14 mil pessoas estão lotadas lá, e estão suadas“,

O show começou com atraso, haja vista que Morrison perdera algumas conexões aéreas naquele dia. Ele estava atrasado para o show por mais de uma hora, e para variar ele estava completamente bêbado, tendo bebido o dia inteiro.

A multidão começa a ouvir tão esperado começo de “Back door man”, mas Jim parece cantar absorto, ele não parece muito interessado no caos de fãs em delírio. Jim mal consegue lembrar as suas letras, interrompe as músicas pelo meio.

Morrison começa a se dirigir à multidão com frases como “ame-me, não posso fazer isso sem o seu amor, me dê um pouco de amor”. Começa com “Five to one”, mas durante o solo de Krieger, Jim solta um “Vocês são um bando de idiotas”. (min 3:30 do vídeo) e então continua nessa direção, dizendo que o público é um escravo , que em resposta começa a ficar chateado.

Resultado de imagem para miami incident the doors

Ele continua dizendo que ele não incita uma revolução, um evento, mas pede apenas que se amem, se divirtam juntos, enquanto a banda tenta detê-lo atacando “Touch me”, que depois de apenas dois versos vem novamente interrompido por Jim, que não consegue acompanhar a música e fica com raiva.

A banda tenta novamente tocar, mas nada. Em seguida, Jim continua com ““Love me two times” e “When the music’s over”, mas no intervalo central da peça Jim reinicia com diálogos com o público, incitações contínuas ao amor da multidão e contando a história de sua vida desde o nascimento até depois.

Com o vocalista agora fora de controle, a banda ataca “Light my fire”, dentro do qual ele continua com um  sermão. Durante tudo isso, também havia espaço para um fã lavar Morrison com champanhe, fazendo com que ele tirasse a camisa.

O manager dos Doors lembra: O show foi bizarro, coisa de circo, havia um tipo a carregar uma ovelha nos braços e as pessoas pareciam selvagens.“.

Vince Treanor disse: “Alguém saltou para o palco e despejou champanhe no Jim então ele tirou a camisa, estava todo molhado. ‘Vamos ver um pouco de pele, vamos ficar nus.’ disse ele, e a audiência começou a despir-se. Uma coisa levou à outra.

 

A partir daqui, versões são conflitantes: há quem diga que:

a) Jim incita à nudez,

b) usa a camisa para se cobrir na virilha;

c) faz movimentos estranhos com a mão por trás;

d) pergunta à plateia se queriam ver o seu pênis

e) fez uma simulação de “sexo oral”  sobre os joelhos na frente de Krieger durante um solo.

tumblr_nor8li7dCD1syml9co1_500

No dia seguinte, talvez prevendo as complicações que viriam a seguir, a banda entrou em férias e saiu dos Estados Unidos.

Em 5 de março já havia um mandado de prisão para Morrison por exibição indecente e obscenidade. Com isso, um a um, os shows de uma enorme turnê pelos Estados Unidos foram cancelados até que esta, por completo, teve o mesmo destino.

 

Em novembro de 1969, Jim compareceu à polícia e se declarou  inocente, seguindo-se uma longa querela judicial, cheia de depoimentos controversos de ambas as partes. Apenas em setembro de 1970, Jim foi considerado culpado, sendo condenado por atentado ao pudor e a trabalhos forçados por seis meses, além do pagamento de multa. Os advogados de Jim recorreram da sentença e ele foi libertado após pagar uma fiança de US$ 50.000.

 

Segundo Sérgio Pereira Couto, após o incidente em Miami,

“A única aparição do grupo foi num especial da rede de TV PBS, em que apresentam algumas canções do álbum seguinte, The Soft Parade. Com isso, a aparência de Morrison mudou completamente: do visual definido pelos jornalistas como o de “um jovem Adônis” ele apareceu em cena com uma barba densa, gordo, usando óculos de aviador e um pesado
casaco marrom.

Quando o quinto álbum, Morrison Hotel, ficou pronto, tanto a banda quanto o próprio Morrison já se achavam exauridos pelo enorme prejuízo financeiro da turnê cancelada e pelo fantasma de Miami que rondava seus negócios sem parar. Um cansativo julgamento aconteceu e o cantor foi acusado de profanidade e exposição indecente. O veredicto foi contestado e o processo ainda corria quando Morrison morreu.

Apenas em 2010 a Justiça da Flórida admitiu que não havia provas suficientes para condenar Jim Morrison, cantor do Doors, pelos crimes pelos quais fora acusado.

O incidente e suas consequências mandaram Morrison e o grupo para uma pirueta que terminou com a morte de Morriso.

O que Jim queria? Segundo Manzarek,

 “E Jim viu o The Living Theatre [um grupo de teatro que experimentou quebrar a quarta coluna e confrontar o público] e ele vai fazer a sua versão do The Living Theatre. Ele vai mostrar a essas pessoas da Flórida o que é o xamanismo psicodélico da West Coast.” 

Imagem relacionada

 

https://whiplash.net/materias/news_856/120358-doors.html

https://www.npr.org/2010/12/10/131960761/what-really-happened-at-the-doors-1969-concert

https://www.miaminewtimes.com/news/i-was-there-the-doors-miami-concert-was-a-mythic-ripoff-6556283

4 momentos controversos de Jim Morrison

Couto, Sérgio Pereira. Segredos e Lendas do Rock. São Paulo, Universo dos Livros, 2008

Beatles e Beach Boys… Uma rivalidade pouco comentada.

Quando se pensa em rivalidades entre bandas de rock nos anos 60, é comum falar nas rivalidades entre os Beatles e os Roling Stones. No entanto, Paul McCartney disse que os maiores rivais dos Beatles não eram os Rolling Stones e sim os Beach Boys.

Alguém pode argumentar que os Beach Boys não alcançaram a notoriedade dos Beatles, mas é fato incontroverso que o grupo californiano foi inspirado e inspirou os Beatles.

Num interessante livro “Como John Lennon Pode mudar sua vida”, há um pequeno resumo dessa rivalidade, muito mais no campo artístico do que nas vaidades da fama:

Havia uma rivalidade transatlântica entre os dois grupos, que passaram dois anos em busca da superação, à procura do pop perfeito,inspirados pela obra do rival. Com Rubber Soul, lançado no final de 1965, os Beatles deixam de lado a inocência dos primeiros lançamentos, a exemplo do quinteto californiano, que ganhara as paradas de sucesso fazendo um rockabilly irresistível, conhecido como surf music (mesmo se apenas um de seus integrantes fosse surfista”.   

 

Resultado de imagem para como john lennon pode mudar sua vida

 

Gabriel Menezes, no seu blog (www.blogcena.com) refere:

No início dos anos 60, os Beach Boys estouraram nos EUA com suas músicas falando sobre a Califórnia e acima de tudo sobre surfe. Mal tinham se acostumado com o sucesso quando sofreram um enorme revés, a invasão britânica. De uma hora para outra os americanos só queriam ouvir bandas do Reino Unido, deixando assim os grupos nacionais em segundo plano. Os grandes responsáveis por isso sem dúvida nenhuma foram os Beatles. Brian Wilson, líder dos Beach Boys, afirma que eles  “morriam de inveja do sucesso dos Beatles”. 

 

Voltando ao livro Como John Lennon Pode mudar sua vida:

Quando Rubber Soul chegou ao mercado, Brian Wilson, líder dos Beach Boys, apaixonou-se de imediato pelo disco e suas sofisticações. Harmonias vocais elaboradíssimas, arranjos celestiais de piano e cordas em algumas canções e um sedutor frescor pop que persiste até hoje. Ao ouvir aquilo, Wilson almejou criar um disco que superasse Rubber soul, uma tarefa árdua até hoje.     

Imagem relacionada

 

Dessa forma, os Beach Boys lançaram “Pet Sounds”, uma obra prima que se encontra em qualquer lista dos melhores álbuns da história do Rock. O próprio Paul McCartney, à época, chegou a dizer que era o melhor disco da história (o que seria uma jogada para instigar seus colegas de banda a superá-los mais uma vez), e afirmando que a mais bela canção de amor seria “God only knows”,de Brian Wilson.

Resultado de imagem para pet sounds

“Pet sounds” chegou às lojas em 1966, na mesma época em que os Beatles lançaram “Revolver”.

Em 1967, todavia, os Beatles fizeram um álbum então insuperável, que foi “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (eu, pessoalmente, acho que esse disco não envelheceu tão bem quanto outras obras-primas dos Beatles, como o White Album e, sobretudo, Abbey Road). O disco que mudou a história do rock e da música pop novamente instigou Brian Wilson, que planejava contra-atacar com o álbum “Smile”.

 

Resultado de imagem para sgt peppers capa

 

Todavia, Wilson estava esgotado  e abatido, sobretudo pelo consumo de drogas (não foram poucos que disseram que o álbum não teria sido lançado porque “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” seria um disco insuperável).  Somente no ano de 2004 “Smile”saiu.  Muita gente se pergunta, todavia, até onde iria essa disputa, caso “Smile” fosse mesmo lançada em 1967.

Resultado de imagem para smile beach boys

Mais uma história interessante sobre rivalidades… essa, apenas no campo criativo.

 

 

Fontes: http://www.blogcena.com/2009/10/rivalidade-entre-os-beatles-e-os-beach.html

Como John Lennon Pode Mudar A Sua Vida, : Alexandre PetilloPablo KossaEduardo Palandi, Geração Editorial.

segunda 09 agosto 2010 04:58 , em “Rivalidades” Musicais

Every breath you take. Uma canção de amor ou uma canção sinistra?

 

Certa vez compareci numa cerimônia de casamento em que uma das músicas da trilha sonora é a conhecida “Every breath you take”, do The Police. Achei curioso como certas pessoas enxergam nessa canção como um hino de devoção e cuidado, como se o sujeito estivesse acompanhando cada passo, cada respiração, cada movimento da pessoa amada, que, ao final, “pertence” ao eu-lírico.

Na verdade,  “Every breath you take” sempre me assustou. Não gostaria de receber uma declaração de amor por intermédio dessa canção. O eu-lírico se posiciona como um vigia, como um grande irmão que acompanha todos os seus passos, suas vacilações, suas imperfeições, enfim, é alguém que sufoca através do amor que, na verdade, se transforma em uma obsessão.

E não sem razão, que consultando o livro “Músicas e Musas”, de Michael Heatley e Frank Hopkinson, encontrei duas declarações de Sting que corroboraram minha tese sobre o caráter obsessivo da canção, por intermédio da qual alguém se vê obcecado por outra pessoa.

Resultado de imagem para every breath you take

Segundo Sting, a música é “uma canção fruto da experiência de ciúme e possessividade… uma canção sinistra, perversa, disfarçada num contexto romântico”

Repare que a introdução inconfundível da canção poderia muito bem ser usada num filme de suspense, de perseguição.

Sting compôs a canção no refúgio jamaicano de Goldeneye, segundo Sting, na mesma escrivaninha em que Ian Fleming (criador do 007) escrevera a próxima aventura de james Bond.

Sting, numa entrevista à BBC, afirmou: “Eu acho que a canção é muito, muito sinistra e cruel, e as pessoas a interpretaram como uma singela canção de amor”. 

Percebe-se claramente o quão egoísta é a canção. O eu-lírico afirma textualmente que percebe o que o ser amado não consegue perceber: o fato de que ele (ser amado) pertence ao eu lírico, que de maneira obsessiva observa, segue, persegue e não consegue suportar a dor de não ser correspondido naquele instante.

Resultado de imagem para every breath you take

Na canção, o sujeito observa cada respiração, cada passo, cada sorriso, cada promessa, cada movimento, cada noite, e não se conforma, afinal, a musa “lhe pertence”. Acabou sendo uma precursora daquilo que hoje se conhece como “stalkers”

O baixo é preponderante (Sting é baixista), a estrutura melódica e harmônica é simples, e consta que a canção teria sido inspirada no fim do casamento entre Sting e sua primeira esposa (Frances Tomelty). “Every Breath You Take” foi lançada no disco “Synchronicity” em 1983, e foi um sucesso estrondoso, talvez o maior sucesso da banda.

Imagem relacionadaSting e Frances Tomelty

 

“How do you sleep”: de John para Paul

 

É absolutamente natural que o fim de uma banda decorra de um desgaste nas relações pessoais entre seus membros.

É normal também, de igual modo, que após a dissolução do conjunto, haja ressentimento nas relações pessoais entre os ex-integrantes da banda.

Vez ou outra os ressentimentos decorrentes do fim da banda se transformam em canções. Naturalmente polêmicas.

E quando se trata da maior banda de rock de todos os tempos?

Todos sabem que o fim dos Beatles acarretaram um afastamento, para não dizer rompimento, entre John Lennon e Paul McCartney. E daí veio a polêmica.

Tudo começou quando Paul gravou o disco “RAM”, sendo que em diversas músicas haveria indiretas (após a morte de John, Paul confirmou algumas dessas “alfinetadas”), tanto a John Lennon quanto a Yoko Ono. Pode-se citar a canção “Too many people”, “The Back Seat Of My Car” e “Dear Boy”.

Na canção Too many people, lançada por Paul, há uma crítica a pessoas que tentam doutrinar as outras

 “Havia uma pequenina referência a John na coisa toda. Ele estava fazendo um monte de pregação.”

 

Na mesma entrevista ele ainda conta: “O trecho “Too many people waiting for that lucky break/ That was your first mistake/ You took your lucky break/ And broke it in two/ Now what can be done for you?/ You broke it in two” (Um bocado de gente esperando por uma boa oportunidade/ Esse foi o seu primeiro erro/ Você pegou a sua oportunidade/ E a partiu no meio/ Agora, o que pode ser feito por você?/ Você a partiu no meio) também foi pra John”.

 

Resultado de imagem para paul mccartney ram

Em resposta, John, no seu disco Imagine, incluiu a música “How do you sleep?”, expressamente dirigida a Paul McCartney.

O sentimento que se percebe nessa gravação é que Lennon se sentiu atacado por McCartney, com quem tinha discutido muito no último estágio dos Beatles. Consta que N Ringo Starr visitou o estúdio durante a gravação da música e teria ficado chateado com a situação, dizendo. “Pare com isso, John !!!”

Tempo após a dupla de sucesso Lennon e McCartney se reconciliaram e foram tão bons amigos como antes …

Se analisarmos a letra percebemos a raiva e a picardia comque Lennon escreveu uma carta cheia de ironia misturada com raiva.

“So Sgt. Pepper took you by surprise”, numa referência ao revolucionário disco dos Beatles, Sgt. Pepper Lonely Hearts club Band.

Mais adiante, faz referência aos boatos de que Paul teria morrido em 1966 “Those freaks was right when they said you was dead“, complementando que o único erro de Paul está na sua cabeça (“The one mistake you made was in your head”)

Critica Paul, por andar rodeado de gente certinha que dizem ser ele (Paul) o Rei, (“You live with straights who tell you you was king”), e faz em seguida um jogo de palavras. Diz que a única coisa que ele fez foi “Yesterday”, que pode ser uma referência tanto à canção “Yesterday”, como ao passado, dizendo que tudo que ele fez foi ontem… John, em entrevistas, chegou a dizer que Yesterday tinha sido o primeiro trabalho solo de Paul.

Resultado de imagem para john lennon imagine

Em seguida, faz uma piada com outra canção de Paul, já na carreira solo, dizendo que desde que ele se foi era outro dia (“another day”), numa clara referência à canção “Another Day”.

Conclui que a música de Paul é como “música de elevador” (muzak) para seus ouvidos, e que ele deveria ter aprendido alguma coisa depois de tantos anos.

As referências foram tão expressas que Ringo recusou-se a tocar bateria nesta canção. George Harrison, no entanto, não hesitou em tocar a guitarra solo na canção.

Em várias oportunidades, John foi questionado sobre a canção. Vale a pena citar três dessas referências:

Eu ouvi as mensagens de Paul em Ram – sim, elas existem, caro leitor! Muitas pessoas vão para onde? Perdemos qual nossa sorte? Qual foi o nosso primeiro erro? Não pode estar errado? Huh! Quero dizer, Yoko, eu e outros amigos não podem estar ouvindo coisas. Então, para nos divertir, devo agradecer Allen Klein publicamente pela linha ‘apenas mais um dia’ (Just another day). Um verdadeiro poeta! Algumas pessoas não veem o lado engraçado disso. Muito ruim. O que eu devo fazer, causar riso? É o que se pode chamar de uma “carta furiosa ‘, cantado – sacou? (Crawdaddy magazine)

Noutra entrevista junto com Yoko Ono, dada a david Sheff, John fez referência à canção Like a rolling stone,de Bob Dylan, de que maneira as pessoas usam alguém como objeto para criar alguma coisa.

Eu não estava realmente sentindo algo prejudicial no momento, mas eu estava usando o meu ressentimento em relação a Paul para criar uma canção. Vamos colocar dessa maneira. Foi apenas um estado de espírito. Paul tomou-o daquele jeito porque ela obviamente, claramente se refere a ele, e as pessoas só o perseguem, perguntando-o: “Como vocês se sentem sobre isso? ‘ Mas houve algumas pequenas coisas obscuras em seus álbuns, que ele mantinha. Então eu pensei, bem, deixe de ser obscuro! Eu vou ir direto ao âmago da questão”.

 

Na entrevista abaixo, ele admite que “How do you sleep” foi uma resposta ao que Paul disse em RAM:

 

 

Numa entrevista para Andy Peebles em 6 de dezembro de 1980, quatro dias antes de sua morte. Ele recorda:

Eu usei meu ressentimento contra Paul, que eu tenho como uma espécie de rivalidade entre irmãos, ressentimento da juventude, para escrever uma canção Era uma rivalidade criativa … Não foi uma vingança cruel … mas eu senti ressentimento, então eu usei. 

 A música ficou, a rivalidade não durou tanto. John e Paul, depois dos Beatles, nunca mais foram próximos…

 

 

So Sgt. Pepper took you by surprise

You better see right through that mother’s eyes

Those freaks was right

When they said you was dead

The one mistake you made was in your head

Ah, how do you sleep?

Ah, how do you sleep at night?

 

You live with straights who tell you you was king

Jump when your momma tell you anything

The only thing you done was yesterday

And since you’re gone you’re just another day

Ah, how do you sleep?

Ah, how do you sleep at night?

 

Ah, how do you sleep?

Ah, how do you sleep at night?

 

A pretty face may last a year or two

But pretty soon they’ll see what you can do

The sound you make is muzak to my ears

You must have learned something in all those years

 

Ah, how do you sleep?

Ah, how do you sleep at night?

Fontes: http://beatlescollege.wordpress.com/2011/03/22/a-briga-musical-entre-john-lennon-e-paul-mccartney/;

http://www.songfacts.com;

http://www.beatlesbible.com/people/john-lennon/songs/how-do-you-sleep/

Sheff, David, A última entrevista do casal John e Yoko. Trad. Vania Cury, Ediouro,

https://www.dtudoumpoucoblog.com/single-post/2016/09/07/A-hist%C3%B3ria-por-tr%C3%A1s-da-can%C3%A7%C3%A3o-How-do-You-Sleep-do-John-Lennon-e-Too-Many-People-do-Paul-McCartney

domingo 14 julho 2013 08:54 , em Beatles

 

Have You ever seen the rain

O Grupo Credence Clearwater Revival (nome esquisito para uma banda – a história vem em outra postagem) notabilizou-se sobretudo pela canção – Clássica até hoje, mais de 40 anos depois, “Have You ever seen the rain“. A canção, um country rock gravado em 1971, no album Pendulum. 

A canção, que revela uma certa tristeza na expectativa de calmaria após a tempestade, foi feita por John Fogerty (vocalista e guitarrista), quando seu irmão mais velho e guitarrista da banda, Tom Fogerty, estava prestes a deixar a banda para seguir carreira solo, justo quando a banda estava no auge.

Numa entrevista, Fogerty afirmou que a canção foi escrita sobre o fato de que a banda estava no topo das paradas, tendo superado todos os seus sonhos mais loucos e suas mais exigentes expectativas de fama e fortuna. Eles eram ricos e famosos, mas de alguma forma todos os membros da banda na época estavam deprimidos e infelizes.

Assim, a linha de “Você já viu a chuva, caindo em um dia ensolarado”. A letra faz referências às tempestades vindas antes da calmaria, e as referências ao sol que esfria e a chuva que aquece, enfim, as contradições de algo que parece ser em princípio ter tudo para ser feliz e que termina desaguando em tristeza.

Por isso mesmo, mesmo que o dia estivesse ensolarado para a banda, internamente seus membros estavam chovendo.

Em 2012, quando apresentava um show no Arizona, John Fogerty afirmou que o significado desta música mudou para ele ao longo do tempo. Ele disse que a canção canção foi originalmente escrita sobre uma coisa muito triste que estava acontecendo na sua, mas que ele se recusava a ficar triste naquele momento, pois agora essa música me lembra da sua filha, Kelsey, e cada vez que ele a cantava, pensava sobre Kelsey e arco-íris. ”

Fogerty acrescentou que este é a sua música favorita de todos os tempos… .